De setembro de 2020 até aqui, muita coisa aconteceu.
Depois de um “meio ano sabático” em Minas Gerais, eu estava no caminho de largar mão de buscar um trabalho. É claro que isso não era uma opção real, mas era esse o sentimento. Chega uma hora que não dá mais.
E foi nesse momento que as coisas mudaram. Voltei no meio de outubro pra Mogi das Cruzes-SP, por causa do Dia das Crianças, e do aniversário da minha mãe, no fim do mês. como sempre, eu estava dando uma olhada despretenciosa nos grupos de Facebook, buscando alguma vaga milagrosa. E eu achei. O anúncio da vaga dizia que era um freela de 1 mês e que, por 1 semana, a pessoa deveria ter disponibilidade de trabalhar presencialmente no escritório da agência, em São Paulo.
Mandei meu currículo e esqueci. Aprendi a fazer isso, mandar e não criar mais expectativas, real. Alguns poucos dias depois, recebi um e-mail, onde a pessoa dizia que o meu currículo foi selecionado para uma entrevista. Honestamente, eu não fiquei nem feliz, eu fiquei em choque. Eu realmente não estava esperando mais nada. Depois, veio o nervosismo, e aí sim a alegria de FINALMENTE alguma coisa boa estar prestes a acontecer. Fiz a entrevista, me dei super bem com a redatora (alô, Bruna) e ela me pediu um teste. A partir daí eu tive 3 tipos de cagaço, não sabia se eu tinha entendido a proposta ou não.
Meu teste era basicamente escrever uma peça de e-mail marketing, bem simples. O problema é: eu nunca escrevi um e-mail marketing e eu sequer sabia O QUE ERA UM E-MAIL MARKETING… a única vez que dei uma breve estudada nisso, foi em algum curso livro da Rock Content, mas eu ainda não tinha noção de nada, era um universo completamente fora da minha realidade de jornalista. Já que ela se dispôs a responder eventuais dúvidas (embora eu saiba que nos processos seletivos eles esperem que a gente não tenha dúvidas), eu tive que perguntar se era aquilo que eu entendi mesmo. E ela disse que sim.
Mandei meu teste e joguei pro universo.
Focas Estadão
Ao mesmo tempo desse processo seletivo, eu havia mandado minha inscrição pro curso de Jornalismo Econômico do jornal Estadão. É um curso gratuito, uma espécie de trainee. 20 jornalistas recém formados (aka Focas) são selecionados para estudar esse curso todo feito e ministrado pela FGV e depois colocar tudo em prática, trabalhando no Estadão. É basicamente uma das únicas portas de entrada pra entrar no jornal, especialmente se você não tem o Q.I (quem indica), como eu. Me inscrevi, joguei pra Deus.
Mentira, não foi tão fácil assim. Eu procrastinei por 1 mês, de tanto medo de não fazer a inscrição direito: a inscrição era basicamente uma sugestão de pauta muito bem estruturada + vídeo vendendo sua pauta + uma carta de apresentação do porque você quer participar. Eu sou pessimista e perfeccionista, então eu basicamente fiz tudo isso no último dia da inscrição.
Pedi ajuda de alguns veteranos da UEPG, que atualmente trabalham no Estadão. Refiz a pauta 8 vezes, mudei de tema 3. Enviei.
Pra quem já leu meus outros posts, sabe que eu gosto muito de museus. Mas eu só conhecia o MIS e a Pinacoteca, aqui em São Paulo. Aproveitei o desemprego (muito tempo livre) pra finalmente conhecer o MASP no dia de entrada gratuita (terças-feiras). Agendei meu ingresso pelo site (em tempos sem pandemia, você deve ficar numa fila e torcer pra ainda ter ingressos) e quando eu estava colocando o tênis pra sair de casa e ir pra estação a caminho de São Paulo, recebi uma ligação: era uma das sócias da agência, dizendo que eu passei no processo seletivo e que o rh entraria em contato comigo.
*mais tarde, descobri que um dos motivos que passei foi porque a Bruna leu meu blog! ESSE AQUI hahha ❤
Eu fiquei MUITO FELIZ. Eu não me sentia feliz desse jeito desde o dia que passei no vestibular, ou do dia que entrevistei a Daniela Falcão pro meu TCC, ou do dia que ela respondeu meu e-mail dizendo que me daria a entrevista. Ou talvez do dia que tirei 10 no TCC, não sei. Mas eu estava muito feliz! Fui sorrindo de orelha a orelha pra São Paulo e, quando eu cheguei na Estação Luz, fui olhar meu celular e um veterano meu tinha me marcado em um post no Instagram.
Eu estranhei, visto que não somos amigos, no que ele poderia me marcar?
Pois então, ele me marcou no post de “Aprovados para a segunda etapa” do curso do Estadão! Fui da Estação da Luz até a Consolação tentando não desmaiar, de tanto que meu coração estava acelerado. Eu olhei a legenda do post, e lá estava: Ellen Almeida. Mas, como boa pessimista, eu pensei: esse meu nome é bem comum, com certeza não sou eu, será que eu coloquei Ellen Almeida ou meu nome completo na inscrição E outra… eu não recebi nenhum e-mail, sinal que não sou eu mesmo.
Então eu comentei dizendo que estava chocada, mas ainda não estava realmente comemorando. Quando desembarquei em frente ao MASP, recebi o tal do e-mail: ERA EU!

No dia seguinte eu teria a tal da prova. Pedi de novo dicas pros meus veteranos: eu teria uma “coletiva de imprensa”, teria umas dinâmicas em grupo e teria que estar preparada pra saber nomes populares do jornalismo (políticos, figuras públicas). E foi assim que passei HORAS tentando me atualizar em todos os assuntos políticos: li todas as propostas dos candidatos à prefeitura de São Paulo, ministros, tretas no congresso, trocas de cargos, escândalos, como andava a economia. Estudei muito, escrevi tudo, fiz post-its, mas sentia que não era suficiente ainda. Só que assim, larguei pro universo.
No dia seguinte, aconteceu uma coisa muito doida. Uns 10 minutos antes de entrar na chamada de vídeo (tudo aconteceu online), quis olhar a foto dos ministros. Eu não assistia ou lia notícias há meses, porque tudo estava me dando crises de ansiedade, me alienei 100% mesmo. Então descobri o rosto do Ministro do Meio Ambiente. 10 minutos antes. Na “coletiva de imprensa” (fantasia), a primeira imagem do entrevistado era: Ricardo Salles. Eu fiquei tão eufórica que pedi pra ser a primeira a perguntar algo pra ele. Fiquei muito nervosa, fiz 1 pergunta só. Eu poderia ter perguntado sobre os corais em Recife (visto que, naquela época, eu era voluntária do time de comunicação da Sea Shepherd Brasil, uma ONG de proteção aos oceanos – proteção de corais era um dos projetos mais fortes, por que eu não pensei nisso?).
OK, no fim eu acabei me dando bem nas próximas perguntas. Mas então, no momento que a gente deveria “falar um pouco sobre nós, o que fizemos, o que gostamos” eu ativei o modo humildona.
A minha vida inteira fui chamada de metida. A vida inteira falaram que eu não tinha humildade, que eu achava que todos os meus feitos eram os melhores e que eu me vendia como a fodelona do rolê. Pois bem, depois da Europa, meti meu rabinho entre as pernas e minha autoestima/confiança/seja lá o que era isso que eu tinha foi virada de cabeça pra baixo. Eu não conseguia ver nada do que eu já tinha feito como algo bom, algo que poderia ser visto como benefício na minha carreira.
Primeiro, saber inglês, ter morado 2 anos na Inglaterra quando criança, ter feito uma universidade pública, ter sido bolsista de Iniciação Científica, ter tirado 10 no TCC, ter entrevistado os nomes do jornalismo de moda que eu queria, ter sido Aupair na Bélgica, viajado, estar aprendendo uma terceira língua, ter morado sozinha e tuuuudo o que eu tinha feito até então não estava valendo muito: todos falavam que era isso que buscavam nas vagas. Mas e aí, quais tinham sido as vagas de emprego que haviam me chamado para entrevistas até ali? Ora ora… acho que eu não era tão foda assim, né?
Então, naquele momento que me pediram pra “me vender”, eu fiz o contrário. Fui selecionada como a primeira a falar, e resumi tanto a minha vida, que parecia que eu nunca tinha feito nada, aprendido nada, vivido nada. Fui tão resumida e humilde que eu fiquei chocada. Logo depois, outras pessoas que haviam feito as mesmas coisas que eu, se venderam de uma forma que eu invejei a vida delas (até parar 2 segundos pra pensar: pera, eu já vivi exatamente isso também, por que eu não falei?!).
Por fim, 1 semana depois saiu o resultado dos 20 selecionados para fazer o curso. Para a etapa que participei, foram 90 jornalistas foca do Brasil inteiro (eu inclusa, uhul). Eu estava sim super na expectativa, tinha certeza que eu ia ser selecionada, afinal eu estava numa onda de sorte fudida. Mas não fui.
Meu coração quebrou em pedacinhos. Parecia que eu tinha levado um pé na bunda. Mas eu não me deixei ficar muito mal, porque sabia que se eu me deixasse, eu iria ficar MUITO mal. Dei até unfollow na página dos Focas, e decidi que só em 2021, pra próxima seletiva (e última que eu poderia participar), eu seguiria o perfil de novo.
Ao trabalho
Comecei a trabalhar na agência, aprendi tudo ali, na marra, com muita ajuda da Bruna – que era a redatora sênior daquele cliente. A equipe era de gente da minha idade, todos muito amigos, não paravam de falar 1 minuto no chat – e eu amava.
Há um mês eu estava, em paralelo, planejando uma viagem para o Paraná, seria meu reencontro com as minhas amigas da universidade. As 5 que não se desgrudam (nome carinhoso do nosso grupinho) iriam se encontrar em Cianorte, em um final de semana na chácara da nossa amiga. Fui, bebemos, rimos, ficamos na piscina, dançamos, e então na segunda-feira comecei a semana presencial na agência.
Foi uma semana cansativa, com plantões até as 4 da manhã – era Black Friday do cliente – mas que me deu muuuita alegria. Muita #gratidão de estar finalmente trabalhando, com pessoas legais, em São Paulo. Foi ótimo. Até que, no último dia presencial, a chefe me chamou na sala de reuniões e me fez uma proposta: eles queriam que eu ficasse na agênciaaaaa!
Obviamente eu aceitei. Mas eu iria pra outra equipe, com outras pessoas 😦
Enfim, resumidamente agora: pinguei entre vários clientes, até encontrarem um que tinha a minha cara (mercado financeiro – por que choras, Focas Econômico do Estadão?). Fiquei lá até agora, abril de 2021.
Mas como boa capricorniana, eu continuei olhando vagas naquele grupinho do início do post… eu trabalho na agência como PJ e, no meio de uma pandemia, com tantas demissões e incertezas, tudo o que eu queria era uma vaga CLT. Encontrei um anúncio, fiz uma piadinha enquanto mandava o meu currículo; passei em basicamente 5 etapas de um processo seletivo que me privou sono e apetite (tarra ansiosa) e PASSEI.

Sou a mais nova Redatora CRM da Tok&Stok.


