De volta ao Brasil: parte final

De setembro de 2020 até aqui, muita coisa aconteceu.

Depois de um “meio ano sabático” em Minas Gerais, eu estava no caminho de largar mão de buscar um trabalho. É claro que isso não era uma opção real, mas era esse o sentimento. Chega uma hora que não dá mais.

E foi nesse momento que as coisas mudaram. Voltei no meio de outubro pra Mogi das Cruzes-SP, por causa do Dia das Crianças, e do aniversário da minha mãe, no fim do mês. como sempre, eu estava dando uma olhada despretenciosa nos grupos de Facebook, buscando alguma vaga milagrosa. E eu achei. O anúncio da vaga dizia que era um freela de 1 mês e que, por 1 semana, a pessoa deveria ter disponibilidade de trabalhar presencialmente no escritório da agência, em São Paulo.

Mandei meu currículo e esqueci. Aprendi a fazer isso, mandar e não criar mais expectativas, real. Alguns poucos dias depois, recebi um e-mail, onde a pessoa dizia que o meu currículo foi selecionado para uma entrevista. Honestamente, eu não fiquei nem feliz, eu fiquei em choque. Eu realmente não estava esperando mais nada. Depois, veio o nervosismo, e aí sim a alegria de FINALMENTE alguma coisa boa estar prestes a acontecer. Fiz a entrevista, me dei super bem com a redatora (alô, Bruna) e ela me pediu um teste. A partir daí eu tive 3 tipos de cagaço, não sabia se eu tinha entendido a proposta ou não.

Meu teste era basicamente escrever uma peça de e-mail marketing, bem simples. O problema é: eu nunca escrevi um e-mail marketing e eu sequer sabia O QUE ERA UM E-MAIL MARKETING… a única vez que dei uma breve estudada nisso, foi em algum curso livro da Rock Content, mas eu ainda não tinha noção de nada, era um universo completamente fora da minha realidade de jornalista. Já que ela se dispôs a responder eventuais dúvidas (embora eu saiba que nos processos seletivos eles esperem que a gente não tenha dúvidas), eu tive que perguntar se era aquilo que eu entendi mesmo. E ela disse que sim.
Mandei meu teste e joguei pro universo.

Focas Estadão

Ao mesmo tempo desse processo seletivo, eu havia mandado minha inscrição pro curso de Jornalismo Econômico do jornal Estadão. É um curso gratuito, uma espécie de trainee. 20 jornalistas recém formados (aka Focas) são selecionados para estudar esse curso todo feito e ministrado pela FGV e depois colocar tudo em prática, trabalhando no Estadão. É basicamente uma das únicas portas de entrada pra entrar no jornal, especialmente se você não tem o Q.I (quem indica), como eu. Me inscrevi, joguei pra Deus.

Mentira, não foi tão fácil assim. Eu procrastinei por 1 mês, de tanto medo de não fazer a inscrição direito: a inscrição era basicamente uma sugestão de pauta muito bem estruturada + vídeo vendendo sua pauta + uma carta de apresentação do porque você quer participar. Eu sou pessimista e perfeccionista, então eu basicamente fiz tudo isso no último dia da inscrição.

Pedi ajuda de alguns veteranos da UEPG, que atualmente trabalham no Estadão. Refiz a pauta 8 vezes, mudei de tema 3. Enviei.

Pra quem já leu meus outros posts, sabe que eu gosto muito de museus. Mas eu só conhecia o MIS e a Pinacoteca, aqui em São Paulo. Aproveitei o desemprego (muito tempo livre) pra finalmente conhecer o MASP no dia de entrada gratuita (terças-feiras). Agendei meu ingresso pelo site (em tempos sem pandemia, você deve ficar numa fila e torcer pra ainda ter ingressos) e quando eu estava colocando o tênis pra sair de casa e ir pra estação a caminho de São Paulo, recebi uma ligação: era uma das sócias da agência, dizendo que eu passei no processo seletivo e que o rh entraria em contato comigo.

*mais tarde, descobri que um dos motivos que passei foi porque a Bruna leu meu blog! ESSE AQUI hahha ❤

Eu fiquei MUITO FELIZ. Eu não me sentia feliz desse jeito desde o dia que passei no vestibular, ou do dia que entrevistei a Daniela Falcão pro meu TCC, ou do dia que ela respondeu meu e-mail dizendo que me daria a entrevista. Ou talvez do dia que tirei 10 no TCC, não sei. Mas eu estava muito feliz! Fui sorrindo de orelha a orelha pra São Paulo e, quando eu cheguei na Estação Luz, fui olhar meu celular e um veterano meu tinha me marcado em um post no Instagram.

Eu estranhei, visto que não somos amigos, no que ele poderia me marcar?

Pois então, ele me marcou no post de “Aprovados para a segunda etapa” do curso do Estadão! Fui da Estação da Luz até a Consolação tentando não desmaiar, de tanto que meu coração estava acelerado. Eu olhei a legenda do post, e lá estava: Ellen Almeida. Mas, como boa pessimista, eu pensei: esse meu nome é bem comum, com certeza não sou eu, será que eu coloquei Ellen Almeida ou meu nome completo na inscrição E outra… eu não recebi nenhum e-mail, sinal que não sou eu mesmo.

Então eu comentei dizendo que estava chocada, mas ainda não estava realmente comemorando. Quando desembarquei em frente ao MASP, recebi o tal do e-mail: ERA EU!

@focaestadao

No dia seguinte eu teria a tal da prova. Pedi de novo dicas pros meus veteranos: eu teria uma “coletiva de imprensa”, teria umas dinâmicas em grupo e teria que estar preparada pra saber nomes populares do jornalismo (políticos, figuras públicas). E foi assim que passei HORAS tentando me atualizar em todos os assuntos políticos: li todas as propostas dos candidatos à prefeitura de São Paulo, ministros, tretas no congresso, trocas de cargos, escândalos, como andava a economia. Estudei muito, escrevi tudo, fiz post-its, mas sentia que não era suficiente ainda. Só que assim, larguei pro universo.

No dia seguinte, aconteceu uma coisa muito doida. Uns 10 minutos antes de entrar na chamada de vídeo (tudo aconteceu online), quis olhar a foto dos ministros. Eu não assistia ou lia notícias há meses, porque tudo estava me dando crises de ansiedade, me alienei 100% mesmo. Então descobri o rosto do Ministro do Meio Ambiente. 10 minutos antes. Na “coletiva de imprensa” (fantasia), a primeira imagem do entrevistado era: Ricardo Salles. Eu fiquei tão eufórica que pedi pra ser a primeira a perguntar algo pra ele. Fiquei muito nervosa, fiz 1 pergunta só. Eu poderia ter perguntado sobre os corais em Recife (visto que, naquela época, eu era voluntária do time de comunicação da Sea Shepherd Brasil, uma ONG de proteção aos oceanos – proteção de corais era um dos projetos mais fortes, por que eu não pensei nisso?).

OK, no fim eu acabei me dando bem nas próximas perguntas. Mas então, no momento que a gente deveria “falar um pouco sobre nós, o que fizemos, o que gostamos” eu ativei o modo humildona.

A minha vida inteira fui chamada de metida. A vida inteira falaram que eu não tinha humildade, que eu achava que todos os meus feitos eram os melhores e que eu me vendia como a fodelona do rolê. Pois bem, depois da Europa, meti meu rabinho entre as pernas e minha autoestima/confiança/seja lá o que era isso que eu tinha foi virada de cabeça pra baixo. Eu não conseguia ver nada do que eu já tinha feito como algo bom, algo que poderia ser visto como benefício na minha carreira.

Primeiro, saber inglês, ter morado 2 anos na Inglaterra quando criança, ter feito uma universidade pública, ter sido bolsista de Iniciação Científica, ter tirado 10 no TCC, ter entrevistado os nomes do jornalismo de moda que eu queria, ter sido Aupair na Bélgica, viajado, estar aprendendo uma terceira língua, ter morado sozinha e tuuuudo o que eu tinha feito até então não estava valendo muito: todos falavam que era isso que buscavam nas vagas. Mas e aí, quais tinham sido as vagas de emprego que haviam me chamado para entrevistas até ali? Ora ora… acho que eu não era tão foda assim, né?

Então, naquele momento que me pediram pra “me vender”, eu fiz o contrário. Fui selecionada como a primeira a falar, e resumi tanto a minha vida, que parecia que eu nunca tinha feito nada, aprendido nada, vivido nada. Fui tão resumida e humilde que eu fiquei chocada. Logo depois, outras pessoas que haviam feito as mesmas coisas que eu, se venderam de uma forma que eu invejei a vida delas (até parar 2 segundos pra pensar: pera, eu já vivi exatamente isso também, por que eu não falei?!).

Por fim, 1 semana depois saiu o resultado dos 20 selecionados para fazer o curso. Para a etapa que participei, foram 90 jornalistas foca do Brasil inteiro (eu inclusa, uhul). Eu estava sim super na expectativa, tinha certeza que eu ia ser selecionada, afinal eu estava numa onda de sorte fudida. Mas não fui.

Meu coração quebrou em pedacinhos. Parecia que eu tinha levado um pé na bunda. Mas eu não me deixei ficar muito mal, porque sabia que se eu me deixasse, eu iria ficar MUITO mal. Dei até unfollow na página dos Focas, e decidi que só em 2021, pra próxima seletiva (e última que eu poderia participar), eu seguiria o perfil de novo.

Ao trabalho

Comecei a trabalhar na agência, aprendi tudo ali, na marra, com muita ajuda da Bruna – que era a redatora sênior daquele cliente. A equipe era de gente da minha idade, todos muito amigos, não paravam de falar 1 minuto no chat – e eu amava.

Há um mês eu estava, em paralelo, planejando uma viagem para o Paraná, seria meu reencontro com as minhas amigas da universidade. As 5 que não se desgrudam (nome carinhoso do nosso grupinho) iriam se encontrar em Cianorte, em um final de semana na chácara da nossa amiga. Fui, bebemos, rimos, ficamos na piscina, dançamos, e então na segunda-feira comecei a semana presencial na agência.

Foi uma semana cansativa, com plantões até as 4 da manhã – era Black Friday do cliente – mas que me deu muuuita alegria. Muita #gratidão de estar finalmente trabalhando, com pessoas legais, em São Paulo. Foi ótimo. Até que, no último dia presencial, a chefe me chamou na sala de reuniões e me fez uma proposta: eles queriam que eu ficasse na agênciaaaaa!

Obviamente eu aceitei. Mas eu iria pra outra equipe, com outras pessoas 😦

Enfim, resumidamente agora: pinguei entre vários clientes, até encontrarem um que tinha a minha cara (mercado financeiro – por que choras, Focas Econômico do Estadão?). Fiquei lá até agora, abril de 2021.

Mas como boa capricorniana, eu continuei olhando vagas naquele grupinho do início do post… eu trabalho na agência como PJ e, no meio de uma pandemia, com tantas demissões e incertezas, tudo o que eu queria era uma vaga CLT. Encontrei um anúncio, fiz uma piadinha enquanto mandava o meu currículo; passei em basicamente 5 etapas de um processo seletivo que me privou sono e apetite (tarra ansiosa) e PASSEI.

SIMMMMM!

Sou a mais nova Redatora CRM da Tok&Stok.

De volta ao Brasil: um passo pra trás? pt 2

Recapitulando do último post que falei sobre minha volta ao Brasil, depois de quase 1 ano na Europa, como Au Pair na Bélgica (seguido de desempregada na Inglaterra): o plano era voltar para o meu país, trabalhar na minha área (jornalismo), fazer currículo, adquirir experiência e depois me jogar de volta no mundo, certo?

Pois bem, tudo continuou a dar errado, até na hora de ir embora da Europa. Eu tinha que finalizar o ciclo e continuar tomando na cabeça, aparentemente. Primeiro, erros para conseguir comprar minha passagem de volta. Eu tinha uma passagem saindo de Bruxelas e voltando para Guarulhos marcada para 12 de fevereiro, mas eu não podia mais esperar. Tentei trocar a data, mas me custaria o mesmo que comprar uma nova, fora o transtorno de pegar todas as minhas malas sozinha e voltar para a Bélgica (lembrando que eu estava em Londres). Então decidi perder a passagem e comprar uma nova.

Por sorte, minha mãe tinha milhas e conseguiríamos gastar bem pouco nas passagens. Compramos pela TAP, o que significa que eu poderia, de quebra, visitar um país na minha saidera. Consegue cerca de 12h de conexão em Porto, avisei meu amigo que morava em Braga e daríamos um passeio juntos.

Descobri que meu vôo da Inglaterra para Portugal ia sair de um aeroporto nos cafundós do Judas, super rolê de transporte público e caro de Uber (e eu já não estava podendo gastar, né?). Mesmo assim, fui de Uber, minha mãe pagou pra mim, e chegando lá, um transtorno: o atendente era terceirizado, não era da TAP, não falava Português, era super grosseiro, nem bom dia me deu. Ainda bem que falo inglês, mas achei um absurdo não ter funcionários que falem português em uma cia aérea portuguesa. O cara era tão grosso (e eu estava tão fragilizada com tudo o que vinha acontecendo + a tristeza de estar indo embora) que eu comecei a chorar. Pra fechar, tive excesso de bagagem, minha mãe não atendia o telefone e tive que pagar 350 libras das minhas economias (que estavam planejadas para uma pós-graduação), de quebra eu tive que despachar minha mala de mão, que também estava acima do peso, e era lá que estava minha troca de roupa, pijama para me hospedar em Portugal e itens de higiene – eu estava menstruada, PRECISAVA tomar um banho antes de voltar para o Brasil.

Transtorno finalizado, embarquei pra Portugal com a roupa mais desconfortável do planeta. Calça vintage (que não conhece lycra) de cintura alta, doctor Martens no pé e corpo mega inchado pelo vôo + por questões biológicas = estava feito o estrago. Em Portugal, peguei um metrô logo no aeroporto, ainda bem que foi bem tranquilo. Mas, é claro, me perdi brevemente e perdi um pouco da luz do dia.

Quando encontrei meu amigo e o namorado, passeamos pelo centro, ele me explicando tudo (historiador que é) e eu me apaixonando pela cidade. Adorei Porto. Nunca imaginei que iria gostar de Portugal, tenho enorme preconceito, admito. Fui ficando ainda mais triste: parecia que eu não tinha tentado tudo o que eu poderia pra continuar na Europa. Todos os tipos de pensamento vinham na mente: e se eu ficasse em Portugal? E se eu voltar pra Bélgica? E se eu fizer pós em Portugal? Será que vou tomar banho hoje? Meu deus, horas de vôo nessa calça apertada, será que vai estourar?

Enfim, me alimentei bem em Portugal, fui pra casa do meu amigo em Braga, dormi no pijama dele e foi ótimo. Mas, no dia seguinte, teria que ir embora mesmo.

Dei a sorte de uma fileira inteira no avião só pra mim, justo na saída de emergência, ou seja, fui toda esticada, o que facilitou pra eu não morrer apertada naquela calça. Meus pés já nem cabiam no meu coturno.

Chegando no Brasil, mil horas pra conseguir pegar as malas. Desembarquei em Campinas, num aeroporto bem pequenininho, às 20:30 do dia 31 de dezembro. Toda minha família estava hospedada em um sítio, uma hora dali, pra passar o Ano Novo. Calor do capiroto, minhas malas chegaram: uma sem rodas e outra trincada. Tirei fotos, porque não perderia meu Ano Novo fazendo mais barraco na TAP, queria tirar aquela roupa logo.

Ah! Sem contar que fiquei uma meia hora esperando minha mãe chegar no aeroporto. Esse é um dom dela, ser atrasada e nunca esperar ninguém no aeroporto. Imagina como fiquei feliz, né? Voltando forçada para o Brasil e perceber que, mesmo estando no meu país, não fui tão bem recebida assim. Não tinha ninguém me esperando ansioso.

Chegando no sítio da família, aquele BAFO, calor de verão. Fui abrir a mala pra pegar minhas roupinhas de verão que nunca foram usadas (assunto para outro post) na Europa e descobri que a TAP simplesmente MUDOU A SENHA DA MINHA MALA. Como? Não faço ideia. Se roubaram algo? Até hoje não sei. Só tinha roupa e sapato, e sou super pequena, não adiantaria muito tentar vender, nem eu mesma consigo vender minhas roupas KKKKK.

Tivemos que arrombar o cadeado. Bem-vinda ao Brasil!

Passei os próximos 4 dias desconectada. Não tinha sinal de telefone, muito menos internet. Meu celular nem bateria tinha, aproveitei pra tomar muito sol e tentar aceitar a ideia de estar de volta. Ainda parecia que eu estava sonhando, não acreditava que eu tinha mesmo voltado. Levei 2 malas enormes para a Europa e me despedi dizendo que nunca mais iria voltar, eu sentia o fracasso a cada 5 minutos, especialmente quando perguntavam como foi na Europa.

Nossa, mas você não vai trabalhar?

Voltando para a minha cidade, comecei a mandar currículo. O meu currículo era o mesmo dos últimos meses de Universidade. Nada tinha mudado, nem cursos, nem experiência, nada. Sempre ouvia as pessoas falando como as empresas prezam por pessoas recém voltadas de intercâmbios (inclusive Au Pair) mais do que aquelas que têm experiência. No meu caso, não foi nada disso.

Eu não recebia nem negativa. Era vácuo atrás de vácuo. Não sabia se algo estava errado com a formatação do currículo, o que eu poderia fazer pra melhorar. Comecei a falar com todos que eu conhecia e perguntar se sabiam de vagas, de lugares para me indicar. Consegui entrar em alguns grupos de vagas no Facebook, mas todas as vagas exigiam de um candidato o serviço de uma agência toda: jornalista que saiba ser designer – Photoshop, edição de vídeo, Excel, atendimento, ferramentas de métricas.

Fui percebendo que eu deveria migrar para o Marketing Digital, se eu quisesse encontrar uma vaga. Eu odeio essa ideia. Não entrei em Jornalismo para ser marketeira, entrei para escrever, contar histórias, pesquisar, entrevistar, denunciar. Tudo o que eu acreditava e tinha aprendido na faculdade parecia inútil. Ainda parece.

Fui a uma entrevista, passei nos testes, mas aparentemente não consegui a vaga porque eu não morava em São Paulo capital, embora nunca tenham me falado isso.

Tudo o que eu fazia era: dormir depois das 4 horas da manhã, assistir séries, chorar, mandar currículos e ouvir esporro da minha mãe. Não tinha vontade de levantar, se eu pudesse eu dormiria o dia inteiro, me faltava sono. Comecei a tomar melatonina para dormir mais, porque tenho medo de remédio. Minha relação com a minha mãe, que nunca foi das melhores, só piorava. Até que ela me mandou para a terapia. Foi até legal, mas fiz poucas sessões, e logo depois chegou o Corona Vírus.

Eu estava esperando a segunda resposta da segunda entrevista que consegui, mas uma semana depois, o vírus chegou, e paralisaram as vagas, pois todos entrariam em Home Office. É isso mesmo, em uns 4 meses, só consegui 2 entrevistas, o resto era vácuo. Ninguém me ajudou, ninguém me indicou, ninguém tomou tempo para pensar comigo no que eu poderia fazer. Novamente, assim como nos últimos meses de Europa, eu estava sozinha, dessa vez dentro da casa da minha família, no meu país.

Minha madrinha, que mora em Minas Gerais, estava acompanhando tudo de longe. E, como eu não estava fazendo nada em São Paulo, meu curso no SESC (que era 1 vez por semana, em São Paulo capital) tinha sido paralisado, ela me chamou para passar um tempo em MG. Vim pra cá no fim de abril, logo depois do aniversário do meu irmão, e até hoje to aqui KKKKKK rumo aos 5 meses. É aquele meme: eu nem tenho roupa pra isso. Literalmente, eu não aguento mais vestir as mesmas roupas.

Eu gosto de citar uma música que ouvi uma vez: se faltar paz, Minas Gerais. E é bem isso. Consegui ficar mais em paz, refletir mais, fazer auto análises e me inscrever em cursos, continuar mandando dezenas de currículos (já foram uns 800 esse ano, entre e-mail, Linkedin, sites de trabalho e sites de empresas). Já não choro mais todos os dias, como acontecia comigo no início do ano. Mas ainda fico pensando: o que estou fazendo aqui, quando isso vai passar, estou no caminho certo?

Tenho mais uma parte pra contar, no próximo post.

De volta ao Brasil: um passo pra trás?

Me formei em Jornalismo em dezembro de 2018. Oficialmente, minha Colação de Grau foi em fevereiro de 2019 (quando peguei meu Diploma), e meu baile de formatura em abril de 2019. Exatamente 1 semana depois, me mandei para a Bélgica, em busca de aprender francês, viajar muito e, futuramente, fazer uma pós na minha área, ou em algo relacionado a Cultura, Arte, Moda… obviamente, não deu muito certo.

O ano de 2019 foi complicado. Passei por 2 host families na Bélgica, a primeira (por três meses) conhecia muito bem o programa de Au Pair e, embora me tratassem como Au Pair e me fornecessem o que era esperado (curso, transporte, acomodação, alimentação, interação com as crianças), abusavam bastante do meu trabalho (horas extras demais sem pagamento ou folga extra, me excluíam da família aproveitando que eu não falava holandês, me faziam faxinar a casa de graça), o que me fez decidir por mudar de família. A segunda família parecia ótima, eu virei até amiga da host-mom (mãe solteira, com personalidade parecida com a da minha mãe, jovem, independente, mente aberta, recém divorciada, super inteligente). Só que, novamente, meu trabalho começou a fugir da proposta do Au Pair (ela me pagava horas extras, e queria que eu optasse por gastar todo o meu tempo livre trabalhando a mais – cozinhando e limpando, inventando receitas, “granny style”, como ela mesma dizia), e acabei sendo demitida.

Estava insustentável, eu já esperava que isso fosse acontecer. Por mais que eu amasse a host-mom e o filho mais velho (meu menino italiano mais perfeito, ainda desejo que meu filho seja como ele, quando eu tiver um), lidar com o filho mais novo e com as exigências estava me fazendo mal. Pra completar, minha vida pessoal não estava ajudando. Quando fui demitida, fiquei sem chão: pra onde eu ia? Eu não queria voltar para o Brasil, eu não tinha feito nem metade do que eu fui lá para fazer. Então, acabei indo para Londres.

Passei dois meses em Londres, outra nova confusão da minha vida: 1 mês na casa de amigos da minha mãe. 1 mês na casa de amigos meus. Não conseguia trabalhar, porque não tinha nem permissão de trabalho no país, nem contatos que soubessem de trabalhos “clandestinos”, apenas fiz alguns babysittings e cheguei até a faxinar 2 casas. Nunca na minha vida de burguesa safada imaginei que eu faxinaria a casa dos outros. Muito menos em Londres. A última vez que estive lá, eu morava em um bairro nobre, andava de Porsche, fazia compras na Harrods e estudava em uma escola particular. Parece que o jogo virou. Mas vejo tudo isso como um grande aprendizado, amadurecimento e oportunidade de ver a vida como ela é, de todos os ângulos possíveis.

Eu sou capricorniana, então ficar vivendo de favor na casa dos outros (eu estava realmente vivendo de graça, não pagava contas, não ajudava com o mercado) era algo que me incomodava demais, me sentia em dívida 24h, ao mesmo tempo que eu pensava: eu preciso mesmo passar por isso? Será que não tenho outra opção?

Pensei em ser Au Pair na Inglaterra, mas todas as host families me ofereciam propostas extremamente abusivas, eu já tinha passado por 2 traumas e simplesmente não estava mais afim. Queria voltar pra Bélgica, eu ainda poderia achar a segunda família oficial (já que a minha segunda família italiana não havia emitido a Work Permit ainda, era como se eu nunca tivesse sido Au Pair deles), mas não achava nada na região de Bruxelas. Na França também, propostas abusivas ou tempo de espera longo demais, e eu não poderia esperar muito mais. Nesse tempo, decidi que precisava voltar para o Brasil, cuidar de mim e da minha cabeça. Precisava fazer terapia, rever meus amigos, minhas prioridades, replanejar minha carreira e trabalhar na minha área.

Por todo o tempo que eu estava na Bélgica, quando a minha vida ainda estava dando certo e seguindo o plano de ser Au Pair, eu pensava que poderia estar no Brasil, criando portfólio, trabalhando na minha área. Todos os meus amigos estavam trabalhando, eu via de longe e sentia vontade de estar jornalistando também (sem nem prestar atenção que eles também viam a minha vida de longe e sentiam vontade de estar viajando a Europa hahaha). A grama do vizinho sempre é mais verde do que a nossa, né? Quando as coisas começaram a dar errado, a vontade de estar trabalhando na minha área aumentou, e também a culpa de ter “perdido um ano da minha vida”.

Início de um sonho… deu tudo errado?

Na verdade, nada é perdido. Tudo é aprendizado. Eu odeio essas frases super positivas, mas depois de 2019 as coisas começaram a fazer mais sentido. E, realmente, a gente precisa viver as coisas e só depois percebemos os porquês, e como tudo está ligado.

Então, surtos depois, decidi que voltaria ao Brasil no Ano Novo. Em 2020 trabalharia na minha área e, só depois de 2 anos, voltaria a tentar voltar para o mundo. Dessa vez eu estaria mais preparada e teria minha experiência com jornalismo.

Continua no próximo post.

COVID-19 vs intercâmbios e mudança de país

Quem tem planos de mudar de país, desengavetar planos de estudar ou trabalhar fora e visitar o mundo tem pressa de realizar. Mas, e quando, no meio do caminho, surge um vírus que fez o planeta todo parar e se trancar em casa por tempo indeterminado?

Falo por mim: ano passado, quando finalmente colei grau e estava livre das obrigações relacionadas à minha graduação, só pensava em uma coisa: encontrar logo uma família na França ou na Bélgica e entrar no primeiro vôo. Eu queria viajar, queria me mudar, aprender uma nova língua, aumentar minha lista de lugares visitados. Recebia vários conselhos de quem estava lá: vai com calma, seja cautelosa na escola de famílias, não vai na louca. E se eu ouvi? Um pouco. Tão pouco que acabei indo mais pelo que pesou no momento (no caso, uma família que dividiu despesas comigo) e não pelo que eu realmente procurava (uma família que me desse liberdade pra aproveitar meu ano e ter qualidade de vida dentro e fora de casa, com respeito pelo meu trabalho e vida pessoal), e eu paguei por isso: só consegui viver, aos trancos e barrancos, metade do meu ano.

Desde que o corona-vírus começou a se espalhar, saindo dos limites da China e chegando a Europa através da Itália, as fronteiras de 31 países europeus fecharam para a entrada de estrangeiros, incluindo os do território Schengen, por 30 dias a partir de 18 de março. A zona Schengen é formada por 26 países europeus, e inclui os países em que o Au Pair é legalizado para brasileiros, como a Bélgica, França, Alemanha e Holanda, países mais buscados por brasileiras para o programa de Au Pair.

Levando em conta o fechamento das entradas, os órgãos administrativos que emitem vistos consequentemente suspenderam as atividades. Aqui no Brasil, quem já tinha agendamento para emissão de vistos nos consulados, ainda não obteve respostas e, para quem está na tentativa de marcar um horário, a resposta dos consulados é: estamos sem atividades, entre em contato no fim do mês (ou seja, fim de maio).

E-mail recebido dia 4 de maio de 2020, referente aos agendamentos para vistos no consulado da França em Brasília

Enquanto isso, a Itália está estudando formas de reabrir as fronteiras para receber imigrantes ainda este ano. Mas, se o seu objetivo é ser Au Pair e você não tem o direito à cidadania europeia/italiana, não adianta muito essa informação, porque lá esse tipo de intercâmbio não contempla não-europeus e você pode, no máximo, ficar 3 meses no país usando o visto de turista. Será que a Itália está surtando? Pode ser que sim. O segundo epicentro da pandemia foi lá e até hoje foram 29315 mortes confirmadas por covid-19, sendo que mais casos continuam sendo confirmados diariamente.

O Reino Unido bateu o recorde da Itália e registrou mais mortes, 28427 hoje – o que é bizarro, visto que o RU é bem menor do que a terra do macarrão. Então, se você planeja ir pra terra da rainha como estudante… é melhor dar uma segurada na emoção, já que os números estão aumentando e é ali o novo epicentro europeu. Além da covid, o Brexit quebrou as pernas de quem planeja(va) migrar, restando apenas alguns meses (até o final de 2020) pra entrar com o pedido de Settlement Status para aqueles que tem nacionalidade EU.

Na França, em algumas regiões as escolas vão abrir, assim como o comércio e outras atividades (aos poucos, é claro), enquanto outras permanecerão em quarentena – e naquele esquema: saída apenas por 1h/dia, levando o documento que justifica o motivo de estar fora de casa.

Mapa de 30 de abril.
Em verde: regiões que podem seguir os protocolos para o “desconfinamento”. Em laranja: regiões incertas. Em vermelho: regiões que permanecem em quarentena.

A “boa notícia” é que, pra quem está com vistos de residência e de longa duração (titre de séjour & visa de long séjour) para vencer entre 16 de março e 15 de maio na França, estão automaticamente renovados por 6 meses. Informações oficiais do Campus France, tá meninas? Isso significa que as au pairs, que estavam no fim do segundo ano (ou do primeiro, ou de qualquer período do visto) ganharam meio ano pra conta… e isso influencia diretamente em você, candidato ou candidata a au pair, já que a família vai querer continuar com quem já está lá, acostumado com a rotina e sem necessidade de passar por uma longa burocracia, pelo menos por mais meio ano.

A emissão de vistos para viagens não-essenciais para a Bélgica também está suspensa até segunda ordem, de acordo com o site oficial, assim como os vistos e qualquer outro tipo de viagem de não-cidadãos ou profissionais não-essenciais na Alemanha, como explicou o site.

A página do VFS Global mostra notícias que todas as emissões de visto estão suspensas para a Holanda

E se eu quiser procurar famílias mesmo assim, o que eu digo?

Mesmo com a informação da suspensão de vistos, quem quer ser Au Pair continua em busca de famílias nos grupos de Facebook e no AuPairWorld.com, mas as host families vivem perguntando: mas você vai conseguir emitir o visto?

Diante dessa pergunta, você não precisa ficar com medo de responder a verdade. Ou você diz que, por enquanto a emissão está suspensa mas você fica disponível pra eles e, assim que reabrir, você vai começar o processo; ou você descobre a cura do corona vírus.

Minha dica nesse período é usar o tempo a seu favor.

  • MAS EU TENHO 26 ANOS, NÃO VAI DAR TEMPO! Então comece a selecionar os países que aceitam 26+, como Alemanha e França
  • EU QUERO IR PRA ALEMANHA DE TODO JEITO, E ESTÁ TUDO FECHADO! Você já tem o nível mínimo para o teste de alemão que o visto exige? Não? Então comece a estudar com calma, existem vários canais, materiais grátis e grupos de estudos pra isso
  • NÃO CONSIGO ARRUMAR FAMÍLIA DE JEITO NENHUM! Aproveite pra arrumar seu perfil no AuPairWorld: compare ele a de outras meninas que são Au Pairs (não tenha vergonha de pedir pra olhar o delas), adicione fotos, analise bem as informações que você coloca, reescreva sua apresentação e a mensagem padrão que você envia para as famílias que gosta. Aproveite para ser mais criteriosa: o que você busca com seu ano? Viajar? Aprender uma língua? Ter um studio separado da família? Poucas crianças pra cuidar? Comece a traçar o que você procura e encontre famílias que tenham a ver com você, com calma, e faça as entrevistas
  • AI QUE DESESPERO, EU QUERO IR ESSE ANO E NEM TERMINEI A FACULDADE! Então por que você não aproveita e termina seus estudos aqui? Ainda mais quem está tendo aulas online mesmo durante a quarentena. Termina essa etapa e depois começa outra 100% livre. Quem sabe você não vai começar uma pós ou mestrado depois do ano de Au Pair?

Se você já está na Europa e quer mudar de país para um novo ano de Au Pair

Melhor ainda, né mana? Você pode aplicar, enquanto seu visto e residência ainda estão válidos, para ser Au Pair em um país vizinho. O que mais tenho visto são famílias procurando “Au Pairs que já estejam na Europa”, porque a burocracia é menor e ainda é possível transitar dentro do território. Nesse caso, é preciso consultar o consulado do país em que você está para garantir a emissão de vistos aí dentro.

Em tempos como esses, aprendemos que não temos total controle sobre o tempo, os planos e as decisões. Dessa vez fomos obrigados a esperar (tarefa difícil), exercitar a paciência e respeitar as nossas limitações: não importa quanto a gente quer, não podemos mudar o agora, mas podemos, com muita calma, pensar no que é melhor pro futuro – mesmo sem saber quando exatamente será esse futuro – pra fazer dele um tempo melhor. Não cometa o meu erro de ir na louca e acabar perdendo tempo e expectativas, dessa vez você tem bastante tempo pra ser mais criterioso e não cair em uma família perigo, encontrar cidades que fogem de Bruxelas-Berlim-Paris-Amsterdam e que serão ainda mais incríveis pra sua experiência!

#FicaEmCasaPorra

Visitando museus grátis na Antuérpia

Se você for mão de vaca, como eu, vai gostar de saber que uma vez por mês, pelo menos, você pode conhecer os museus da Antuérpia de graça! Aqui listei todos os museus da cidade e especifiquei como você faz pra visitar metade deles sem pagar nadica.

Como eu já trouxe aqui, morei alguns meses em Zoersel, uma cidadezinha (mais pra um vilarejo) que fica a 50min de ônibus da Antuérpia, segunda maior cidade da Bélgica e muito conhecida mundo a fora por causa do comércio de diamantes. BTW, mais de 80% dos diamantes brutos passam pela cidade e, se receberem um selo exclusivo de lá, são reconhecidos como pedras de qualidade.

Eu, particularmente, gosto muito mais de Bruxelas do que da Antuérpia. Mas, assim como em todos os países, existe uma guerrinha interna de qual cidade/Estado/capital é melhor: no Brasil, Rio e São Paulo disputam quem é o melhor (dados indicam que São Paulo deixa o Rio no chinelo) e, na Bélgica, a disputa é entre a cidade capital da região dos Flandres e a cidade capital do país, Bruxelas. Na Antuérpia se fala holandês e a arquitetura é extremamente influenciada pelo país vizinho. Já em Bruxelas, existem dois idiomas oficiais: holandês e francês, mas a maioria fala francês mesmo – UFA!

Percebi outra coisa, que não tem muito a ver com o post: enquanto a Antuérpia fica se preocupando em ser a melhor e mais rica cidade da Bélgica (de fato é a mais rica) e falando mal de Bruxelas, a capital do país e da União Europeia (o escritório fica lá e várias host families de au pairs, inclusive, trabalham na comissão – como era o caso da minha última host mom) não está nem aí pra Antuérpia, eles se importam com coisas mais importantes, cof cof.

Voltando ao tópico do post… assim como em várias cidades do mundo, a Antuérpia reserva 1 dia para receber visitantes de forma gratuita nos museus. Em algumas cidades, como Nova York, as visitas gratuitas acontecem 1 vez por semana, dependendo do museu; mas reparei que, tratando-se de Europa, as visitas são uma 1 vez por mês mesmo. Então, se quiser salvar alguns euros e fazer passeios bem legais, fique atento ao calendário, você pode conseguir visitar várias cidades vizinhas com entradas grátis!

Todas as últimas quartas-feiras do mês, esses museus estão abertos para a população de forma gratuita durante todo o horário de funcionamento!

Alguns dos museus da Antuérpia estão, já fazem uns anos, fechados para reforma, então eu fui, morei, mudei e voltei para o Brasil e nunca pude visitá-los [São eles: MoMu: Fashion Museum e o The Royal Museum of Fine Arts]. Mas quem sabe um dia? Vou listar aqui todos os museus da cidade e contar um pouco do que achei dos dois que visitei em uma dessas quartas grátis.

  • Middelheim Museum: um museu a céu aberto no Middelheim Park, aberto ao público em tempo integral com esculturas desde Rodin até os tempos atuais – ótimo para visitar no verão
  • MAS: aberto de terça à domingo das 10 às 17hrs. Endereço: Hanzestedenplaats 1, 2000. Ingressos: 10eur ou 5eur caso não exista nenhuma exibição temporária rolando, menores de 12 anos não pagam

Esse museu, que não tive oportunidade de visitar, fica bem às margens do rio. Conta a história da cidade e da importância do porto da Antuérpia, que é um dos mais importantes do mundo. Mas, para além do conteúdo do museu, o próprio prédio é uma grande obra arquitetônica, super moderno e em formato de cubo. No verão, ou até em dias menos gelados e com ventos fortes, a dica é subir os 10 andares (de escada rolante, não se preocupe) e apreciar a vista 360º da cidade no terraço panorâmico, que é gigante, e tentar adivinhar o que é o quê. Outra curiosidade é que são 60m acima do nível do mar, então se você tem medo de altura, melhor ficar lá embaixo mesmo.

Eu amei a vista, mesmo tendo um medinho. O único problema é que venta demaissss, então prende o cabelo e não arrisque ir de chapéu, porque ele vai sair voando! Ah! É de graça pra subir até o terraço, rsss.

  • FOMU – Museu da Fotografia: aberto de terça à domingo das 10 às 17hrs. Endereço: Waalsekaai 47, 2000. Ingressos: 10eur, 3eur para menores de 26 anos e 7eur com desconto
  • Red Star Line: aberto de terça à domingo das 10 às 17hrs. Endereço: Montevideostraat 3, 2000. Ingressos: 8eur, 6 eur para menores de 26 anos ou maiores de 67 anos, monores de 12 anos não pagam
  • Rubenshuis: aberto de terça à domingo das 10 às 17hrs. Endereço: Wapper 9-11, 2000. Ingressos: 8eur, 6eur para menores de 26 anos ou maiores de 67 anos

Esse foi o primeiro museu que visitei. Deu um pouco de trabalho pra encontrar, devo admitir. Eu sou uma pessoa muito perdida e, como não tinha fila nem nada, dei duas voltas até perceber que uma daquelas casas/comércios era um museu! Estranho, né? Em dia grátis o que se espera encontrar é uma fila quilométrica, aqui não! Em frente à casa, que é tipo uma fachada de um castelinho (só que germinada com outras construções), fica uma “caixa de vidro”, ali é a bilheteria.

Entrando na bilheteria, você retira o ingresso cortesia e pode pegar um encarte em alguma língua que você entenda gratuitamente. A recepcionista foi muito gentil, fiquei até assustada (o trauma da pessoa na Europa).

Imediatamente eu fui transportada para uma casinha do século XVII: tudo em madeira que faz toc toc toc, qualquer respiro a gente escutava, era tudo meio escuro e sério, achei chique. A entrada era uma salinha com quadros – que pareciam desenhos de um projeto arquitetônico – e as paredes eram revestidas de um papel de parede que lembrava couro trabalhado. Havia uma caixa de vidro com uma bússola (será que é esse o nome daquele negócio?) dourada e algumas esculturas. A proxima sala já era mais arejada, clara e, aparentemente, era a cozinha da casa. Azulejos azul e branco com cenas da vida no campo e da vida religiosa.

A casa parecia pequena, achei até que seria entediante, mas conforme fui avançando, as salas ficavam ainda maiores. Eram cômodos cheio de janelas, coleções de quadros de outros artistas – alguns amigos do Rubens, esculturas e uma decoração muito linda e clássica. Quem gosta de velharia se diverte. Acabei até perdendo de ir até um cômodo, e como existe uma ordem a ser seguida, não pude voltar 😦 então, quando subir para o segundo andar, vire a esquerda, e não vá direto para a direita, como eu fiz!

Depois da casa, você vai acabar em um salão com muitos quadros, tipo uma galeria de arte mesmo. E depois de tudo isso, se estiver cansado de olhar pra quadros e pra uma casa antiga e meio escura, dê uma volta no jardim e aprecie a vista da varandinha. É um jardim lindo, enorme e bem cuidado, rende fotos lindas! Não foi o meu caso, porque eu estava sozinha e não encontrei muita gente disposta a me fotografar… a cara de pau da viajante solo ainda não estava muito aguçada.

  • Museu Plantin-Moretus: aberto de terça à domingo das 10 às 17hrs. Endereço: Vrijdagmarkt 22, 2000. Ingressos: 8eur, 6 eur para menores de 26 anos ou maiores de 67 anos, monores de 12 anos não pagam

Conhecido por trazer a história da tipografia e da impressão, nesse museu você encontrará tipos (aquelas barrinhas de metal que eram combinadas para imprimir palavras, frases, livros!) desde meados de 1550, quando Christopher Plantin chegou da França e estabeleceu a primeira imprensa industrial do mundo na Antuérpia. A casa e a fábrica foi administrada por Christopher e seus sucessores por mais de 300 anos e depois vendida para a cidade sob a condição de ser transformada em museu, e assim foi!

Eu adorei esse lugar, é enorme, um verdadeiro labirinto de cômodos! Assim como a casa de Rubens, eu não esperava que um lugar que aparentemente era tão pequenininho fosse tão grande por dentro, fiquei assustada. Na entrada (já um pouco confusa) perguntei se precisava emitir ingresso, e me explicaram que não. Lá eles têm uma parede cheia de flyers, informativos e MAPAS… AINDA BEM, NÉ? Porque foi muito necessário!

Eram salas de tipos guardados em várias estantes (protegidas por acrílico ou grades), outras que imitavam a estrutura do lugar e como cada prensa funcionava (com explicações e vídeos), bibliotecas enormes, um jardim central maravilindo, mais salas com explicações, livros, móveis, quadros e, uma em especial, que funciona como um laboratório performático, eu diria: trata-se de um lugar para receber turistas, principalmente famílias e crianças, para que eles vejam como funciona a prensa.

Eu, como verdadeira criança que sou, fiquei lá muito mais animada que os pequenos, bem na frente, e com os olhos brilhando enquanto ouvia a explicação do… moço (tipógrafo? não sei o nome dessa profissão). Ele viu meu interesse e deixou eu fazer o processo!!! Meu deus, fortes emoções. E ainda pude levar pra casa e, como tudo, colocar na minha parede de enfeite um poema meio em francês das antigas que falava sobre amor e sobre riqueza, meio confuso, mas era bonito pelo menos…

Como o museu era enorme, algumas partes eu passei rápido, pois já estava passando mal de tanto turistar e estava tentando achar a porta de saída pra ir embora.

  • Museu Mayer van den Bergh: aberto de terça à domingo das 10 às 17hrs. Endereço: Lange Gasthuisstraat 19, 2000. Ingressos: 8eur, 6 eur para menores de 26 anos ou maiores de 67 anos, monores de 12 anos não pagam
  • Snijders & Rockox House: aberto de terça à domingo das 10 às 17hrs. Endereço: Kaizerstraat 10-12, 2000. Ingressos: 8eur, 6 eur para menores de 26 anos ou maiores de 67 anos, monores de 12 anos não pagam

Casa do antigo prefeito da cidade, durante o século XVII, é reconhecido como um templo de arte. Nicolaas, o antigo dono da casa, era pintor, amigo de Rubens e colecionador de arte. Não cheguei a visitar esse museu mas, como confundi algumas fotos deles com as minhas próprias, resolvi investigar se eu tinha ido ou não (a louca dos museus, vou em tantos que já nem sei mais quais eram) e encontrei um vídeo (em holandês, mas foca nas imagens) que faz um pequeno tour para chegar até o endereço e por dentro da casa, olha que legal:

São três vídeos fazendo um tour pelo museu Snijders & Rockox House , sendo esse o primeiro. É só aguardar que a reprodução do próximo acontece automaticamente.

  • Casa da Literatura: aberto de terça à sábado das 10 às 17hrs. Endereço: Minderbroedersstraat 22, 2000. Ingressos: 5eur, 3eur para menores de 26 anos e maiores de 65 anos

E se quiser abrir a carteira, esses são museus particulares e/ou que não estão inclusos nas quartas gratuitas:

  • M HKA | Museu de Arte Contemporânea da Antuérpia: aberto de terça a domingo das 11 às 18hrs. Endereço: Leuvenstraat 32, 2000. Ingressos: 10eur, 1eur para quem visitar o museu às quintas-feiras entre 18 e 21hrs, 50% de desconto para estudantes, desempregados, moradores da cidade, membros do museu e durante reformas
  • Chocolate Nation: aberto de domingo à domingo das 10:30 às 21hrs. Endereço: Koningin Astridplein 7, 2018 (exatamente em frente à praça da Estação Central da Antuérpia). Ingressos: 16.50eur para adultos, 15eur para menores de 26 anos ou maiores de 67 anos
  • DIVA | Museu do Diamante da Antuérpia: aberto de domingo à domingo das 10 às 18hrs. Endereço: Suikerrui 17, 2000. Ingressos: 12eur, 7eur para menores de 26 anos
  • Maiden’s House Museum: aberto de domingo à domingo das 10 às 17hrs. Endereço: Lange Gasthuisstraat 33, 2000. Ingressos: 7eur, 5eur para menores de 26 anos e maiores de 65 anos, 7eur entre 26 e 65 anos, menores de 12 anos não pagam
  • Museum De Reede: aberto de domingo à domingo das 10 às 17hrs. Endereço: Ernest Van Dijckkaai 7, 2000. Ingressos: 13eur, 3eur para menores de 18 anos

Outro museu que não pude visitar, mas pesquisando para escrever o post descobri que nesse museu você encontra 150 peças de 3 artistas (pintores/litografistas): Francisco Goya, Félicien Rops e Edvard Munch desde o século XVII até os tempos atuais. Me pareceu interessante! E, pelo preço, deve ser um museu privado e muito bem conservado.

  • Eugeen Van Mieghem Museum: aberto aos domingos e segundas das 14 às 17hrs. Endereço: Ernest Van Dijckkaai 9, 2000. Ingressos: 4eur
  • Museum Butcher’s Hall: aberto de quinta a domingo das 10 às 17hrs. Endereço: Vleeshouwerstraat 38-40, 2000. Ingressos: 5eur, 3eur para pessoas até 25 anos e maiores de 65 anos, menores de 12 anos e portadores de necessidades especiais não pagam
  • HeadquARTers: aberto terça-feira das 9 às 20hrs e sábado das 10 às 16hrs. Endereço: Van Aerdstraat 33, 2000. Ingressos: 12eur

Outro museu privado que parece interessante. Traz uma exposição sobre 3500 anos da arte têxtil. Para amantes da moda, como eu, é massa: ROUPAS! Além disso, o museu parece ser completamente ao ar livre, com esculturas e peças de arte de artistas belgas e de outras nacionalidades, até arte egípcia tem.

Mais informações no site oficial: https://www.visitantwerpen.be/en/sightseeing/museums

Um final de semana low-budget em Düsseldorf, na Alemanha

Segundo maior centro financeiro e nona maior cidade da Alemanha, Düsseldorf é dividida pelo Rio Reno e é considerada importante capital quando o assunto é Arte e Moda. A cidade está localizada ao norte das queridinhas alemãs Bonn & Colônia, e me tomou cerca de 3 horas de ônibus, saindo da Antuérpia. Senta que lá vem história!

Há dez anos, quando morei em Londres com a minha família (mãe, tia e padrasto), íamos com bastante frequência para Frankfurt, na Alemanha. Pra falar bem a verdade, a gente fazia escala lá, voltando ou indo para o Brasil, e ficávamos nas queridinhas alemãs Bonn/Colônia (sinceramente, não lembro qual delas), já que meu padrasto era nascido lá. Nunca conheci absolutamente nada da Alemanha, e é aquele ditado: se conheci, não me recordo. Porém, sempre tive um amorzinho pelo país, a história, cultura e idioma. Inclusive, quando fiz 15 anos coloquei na cabeça que iria aprender alemão: durei dois meses no curso e desisti para sempre.

De volta à Europa, resolvi que as minhas primeiras viagens por aqui deveriam ser para todos os países que eu já pisei há dez anos, mas que eu não conhecia nadica de nada. A listinha era: Bélgica – vim pra Bruxelas por um dia, uma parada rápida a caminho de Paris para passar no show da Avril Lavigne, já que havia perdido o que aconteceu alguns dias antes em Londres; França – outra parada rápida, de mais ou menos dois dias, que me rendeu uma ida à EuroDisney e um total de 0 lembranças + ida ao Louvre + rápida olhadinha na Torre Eiffel e uma vela acesa em Notre Dame; Alemanha – isso ali que falei no primeiro parágrafo; a própria Inglaterra – morei dois anos em Londres, mas mal viajei pelos arredores, ainda quero fazer uma viagem bem demorada pelo interior da Inglaterra e pelo Reino Unido ❤

Por estar morando na Bélgica em 2019, visitei algumas cidades por ali, sempre que dava, é tudo muito perto. Passei meu terceiro final de semana, depois que cheguei na Europa, em Paris – mas preciso voltar, foi quase como a primeira vez de dez anos atrás. Mas a Alemanha… ah… é tão grande, com tantas cidades, por mim que eu me mudava logo e vivia conhecendo cada pedacinho daquele lugar! Então resolvi ir para alguma cidade pequena, perto da fronteira com a Bélgica (pra não gastar muito tempo de transporte me locomovendo até lá, já que eu só tinha o final de semana) e que não me custasse muito, em termos de turismo.

Fui pra lá no meio da minha pindaíba (que durou três meses, justo os primeiros na Bélgica!), e sabia que não poderia gastar quase nada, então o primeiro passo foi escolher a cidade. A escolha da cidade foi muito aleatória. Eu simplesmente joguei no Google as cidades pequenas da Alemanha, e me apareceu: Bonn, Colônia e, no meio de algum dos mil blogs, Düsseldorf. Fiquei pensando: uke? As primeiras eu já estava careca de ouvir falar sobre. A terceira, muito agradável e muito injustiçada também, dizia o próprio blog. Escolhi essa mesmo.

Minha hospedagem em Düsseldorf

Além de querer viajar muito, queria também economizar muito e testar algo que eu tento há muitos anos: couchsurf! Me aventurei, enviei mensagens para algumas pessoas que estavam aceitando hóspedes e cruzei os dedos.

Dica para quem ainda não manja das malícia do Couchsurf: se você é mulher, está começando agora a fazer viajens sozinhas e nunca ficou hospedada em Hostels, como euzinha ainda não tinha, e também gostaria de se aventurar no sofá de algum estranho… ESCOLHA UMA MULHER!

Eu coloquei no meu filtro de buscas: mulheres – com recomendações – aceitando hóspedes. Encontrei as opções, montei uma mensagem em que me apresento claramente e fui que fui.

Nossa, mas eu não tenho coragem de fazer Couchsurf!

Eu ouço de todo mundo, especialmente as meninas aupairs e as mais novas , que não tem coragem de se hospedar na casa de um completo estranho. Pois bem, eu tenho, e além disso, tenho um conselho pra você abrir sua mente:

Sabe aqueles filmes que as pessoas se jogam no mundão, viajam, festejam, conhecem estranhos, fazem amizades pra vida, conhecem o verdadeiro amor? Nem todos são reais, e pra você conseguir fazer aquilo, no meio vai ter uns bons quilos de merda… mas acredite!

Acredite na bondade (mas não muito, taokei?) das pessoas, acredite que elas estão ali pra realmente ter uma troca de experiência, cultura, conhecer uma nova pessoa unicamente porque são generosas e gostam de dar novas risadas e conversar de novos assuntos com pessoas que podem ser apenas um hóspede de uma noite, mas que também pode tornar-se um amigo pra vida. Nós, do Brasil, temos medo.

Medo de tudo, de dar um copo de água para um estranho que toca a campainha no meio da tarde. Ou de alguém pedindo um celular emprestado no meio da rua por estar perdido. Temos medo de deixar a bolsa um segundo fora do campo de visão e, mais ainda, de colocar um estranho para dormir dentro da nossa casa. E não é para menos, nosso país está de cabeça pra baixo. Mas acredito que a mudança pode acontecer, que podemos trocar certos receios e abrir mais a mente, levar para nossa cultura essa maior confiança – afinal, não dizem que brasileiros são mega receptivos? Não vamos limitar isso só à mesa de bar quando conhecemos gringos na Copa do Mundo! – no estranho, e não ficar só babando que na Europa o Couchsurf acontece, e no Brasil não.

Aqui eu já li muitos casos de assédio, muitos casos horríveis e outros MUITOS casos ótimos. Um deles é o meu e, incrivelmente, também foi o caso positivo da primeira pessoa que a minha host hospedou – eu fui a segunda hóspede dela, risos.

A primeira (e única) pessoa que aceitou minha solicitação foi a Carolin, que foi super simpática e amigável. Logo marcamos tudo certinho e ficou combinado que eu passaria a noite de sábado para domingo lá.

Da Antuérpia para Düsseldorf de Flixbus

Comprei minhas passagens para Düsseldorf (viagem feita no final de semana do dia 22 e 23 de junho de 2019) com um código de desconto que ganhei (de uma estranha num grupo de Whatsapp) de 4 euros, o que já ajudou. Pensei comigo: vou pegar o primeiro ônibus de Zoersel para a Antuérpia (minha cidade, na época da viagem) – duração de 50min – e de lá um dos primeiros para a Alemanha, e assim aproveitarei meu lindo dia de verão! Certo? ERRRRRRRRROU.

Peguei um ônibus que chegaria no laço, mas como era sábado e nossa querida Europa vive em reforma: o ônibus não me deixou de frente para a Estação Central da Antuérpia, e sim há uns quarteirões de lá. Por conta disso, saí correndo e graças a 2 minutinhos, vi meu ônibus fechando as portas e acelerando… lá se foi ele. E lá fui eu gastar mais uns euros em uma nova passagem para um próximo horário.

Horário do primeiro ônibus (que perdi): 7:30
Chegada prevista: 10:25
Valor gasto (incluindo o desconto): 10,42 eur

Horário do segundo ônibus: 11:35
Chegada: 14:30
Valor gasto: 16,99 eur

Não apenas perdi metade do dia, mas perdi uma boa grana, risos de desespero

Avisei a Carolin, ela estava super OK! Aliás, ela combinou que me buscaria na estação.

Chegando, finalmente, à cidade, minha host me encontrou e pegamos um ônibus (VALOR) até a casa dela, para eu deixar minha mala – naquela época eu ainda usava minha mala de rodinhas, hoje eu já aprendi que só na mochilinha pra sobreviver, mermã.

Primeiro dia: o que fazer em 1/2 tarde e 1 noite em Düsseldorf

Meu anjo… se eu soubesse que seria tão fácil e rápido ver tudo o que tem de importante na cidade, eu não teria comprado a primeira passagem e teria ido direto para o segundo horário, salvando horas de sono e dinheirinhos.

Chegando em Düsseldorf, encontrei a Caro, que era uma mulher muito alta (como a maioria das alemãs) e sorridente. Desembarquei em uma “estação de ônibus” que ficava bem ao lado esquerdo, andando alguns metros, da estação principal da cidade. Eu, como boa pessoa perdida, fiquei um pouco perdida e morrendo de medo de nunca encontrar minha host… mas deu tudo certo. Andamos até o ponto de ônibus que nos levaria para a casa dela para deixar minha mala e, para a minha surpresa, ela tirou o dia para passear comigo e me mostrar tudo – amor de pessoa!

Assim como a maioria das cidades da Europa, o transporte da cidade disponibiliza a compra de uma passagem 24h, através dessa passagem você pode usar os trams (bondinhos), metrôs, trens e ônibus dentro daquele período – fique bem atento, sério, BEM ATENTO AO HORÁRIO, você vai saber porque no desenrolar da minha viagem. O valor da passagem 24h é de 7.20eur para uma pessoa, e adivinha só? A Caro comprou pra mim (é a melhor host de au pair do mundo? SIM!) com o cartão de crédito, no aplicativo do sistema de transportes e recebeu um QR Code. Moderno né? Com o QR Code em mãos, eu poderia transitar tranquilamente, caso algum fiscal me parasse, ele escaneava minha passagem e pronto. Para acessar o site oficial com todas as taxas e horários, clique aqui.

Tomei uma ducha no apartamento dela, que era uma gracinha – tudo na Alemanha é lindo pra mim, incrível – e ela me chamou para ir ao bar com ela e as colegas de trabalho, quando ficasse noite (demoraria, hein? estávamos em pleno verão!), e lógico que aceitei. Estava um calor realmente infernal, ainda bem que minhas roupas eram bem frescas… fica a dica: não pense que verão é só no Brasil, na Europa o negócio pega (e acho que pior).

E vamos de lista de lugares principais em um passeio pela cidade:

  • Altstadt (cidade antiga), é lá que está o Schossturn, a única torre que restou de um castelo, hoje é um museu marítimo. Essa parte da cidade fica às margens do Rio Reno, a vista é espetacular (e quente). A orla, que vira um formigueiro humano durante o verão, está repleta de bares e restaurantes, muita música e gente animada
  • Igreja St Lambertus: que possui uma torre mega torta, por conta de um incêndio e uma reforma mal feita
  • Rheinturn, que é uma torre de TV e observatório 360º, me parecia genial, mas a entrada custava 9eur, desisti – viagem low budget, né galera?
  • Os famosos prédios inclinados de Frank O. Gehry
  • Königsallee (), a famosa rua de butiques, a Champs Elysée da Alemanha e também a Schadowstrasse, ali perto, mas cheia de lojas para meros mortais, como a H&M, Zara…
  • Bolkestrasse, uma rua com bares colados uns nos outros, e por isso considerado “o maior bar do mundo”. Dizem que, antigamente, os bares tinham portas que os interligavam, daí que veio o título. Bebemos uma cerveja local bem famosa, a Altbier!

De trás pra frente, vou especificar o que achei de cada cantinho que passei. Começando pela experiência etílica, uma das minhas preferidas: eu adorei o conceito de uma rua cheia de bares, porque isso não é tão comum na gringa, como é no Brasil – quem nunca foi em uma cidade universitária e se viu em meio a um oceano de jovens bêbados nas calçadas, com seus respectivos litrões, sem saber qual bar exatamente eles estavam?

Algo que a Caro me contou é que a cidade está bem acostumada a receber grupos de amigos em despedidas de solteiro. A criatividade daquele povo é mara: fantasias, camisetas, cores em comum. Tanto grupos de mulheres como de homens, estavam sempre em bandos enormes e prontos para se jogar na festa em pleno verão – a melhor época do ano, para eles (só pra eles)!

No bar que estávamos, um dos mais tradicionais e antigos da rua (Kurzer), o garçom vinha até você com uma bandeja cheia de copinhos e você pagava ali mesmo, em dinheiro, de preferência moedas. Eles não são muito pacientes, então deixe o dinheiro em mãos e não enrole muito. É pá pum! Antes de chegarmos no bar, passamos em um ATM – caixa eletrônico.

Durante a bebedeira eu conversei um pouco com as colegas dela, todas alemãs, e nem todas falavam inglês. E pude colocar meu aprendizado de 2 meses de curso em prática. Cheguei e falei: eu sei uma palavra em alemão! *todos param para ouvir* “kugelschreiber” *todos riem* “Ellen, por que você sabe falar CANETA em alemão? Que aleatório”. Pois é.

Sobre as ruas das butiques… claro que não visitei nenhuma loja, primeiro porque eu não iria fazer compras, segundo porque eu não sabia quanto tempo tínhamos, e queria ver tudo que pudesse. Mas ali no meio têm um ponto ótimo para as fotos, o canal:

Para ver a torre que mencionei, você acaba passando pelos prédios inclinados e, se você andar até o finalzão da orla, encontra uma vista linda com tudo isso, ótimo para fotos também.

Se você sofre de labirintite, cuidado com esses prédios:

Além disso, você encontrará um barzinho bem chique, mas se não quiser entrar, pode ficar nas escadarias mesmo… encontrei um monge que estava sendo fotografado. Perguntamos o que ele estava fazendo ali (bem cara de pau) e ele nos contou que foi dar uma palestra na cidade.

Por fim (na verdade, o começo) as torres que mencionei. Nessa foto você consegue ter uma breve ideia de como o povo alemão curte pegar um solzinho na orla do rio. Ao fundo, a torre torta da igreja e a torre restante do castelo. E como eu sou bem aquelas “tia das plantas” versão arte, não pude deixar de ser fotografada nessa parede toda colorida.

Terminamos o primeiro dia (um pouco bêbadas, talvez) e fomos para a casa da Caro descansar. No dia seguinte (domingo) ela iria trabalhar (!) e eu ia para outra parte da cidade, visitar um castelo e ruínas de um antigo castelo da época do Império Romano.

Segundo dia: Schloss Benrath e Kaiserswerth, o perrengue e de volta para casa

De metrô, fui até a estação mais próxima do castelo e, de lá, estava esperando o bondinho que me deixaria na porta. MAS: me perdi. Então fui andando mesmo (da estação de metrô), foi uma caminhada super rápida e gostosa, assim eu vi mais a vizinhança longe do centro da cidade. Mas para você que deseja usar o transporte, e não fazer como eu:

Metrô: linhas U71 e U83 na parada Schloss Benrath
Saindo da estação principal de ônibus: RE1/RE5/S6 na parada Benrath S-Bahnhof + caminhada de 10min

A entrada do castelo é uma graça. Antes de entrar, você vai ver um canalzinho com patinhos mergulhando. Entrando no castelo, vai dar de frente para um lago cheio de outros patos, muito gostoso ficar sentada ali na beira, apreciando a vida. Também na entrada, do lado esquerdo, você encontra um café.

E vamos de História: O palácio de Benrath foi uma residência de veraneio para caça e, hoje, abriga 3 museus [valor para os palácio total: 14eur para adultos, 4eur para crianças até 17 anos, 10eur para estudantes e aqueles que pagam meia, 28eur para famílias]. Foi construído na segunda metade do século XVIII e é geralmente chamado de palácio mais bonito da região do Reno. O prédio principal (Corps de Logis) está super bem preservado, com a mobília original, e pode ser visitado com um guia [10eur adultos, 3eur crianças, 6eur descontistas] – infelizmente não fiz o passeio, primeiro pelo valor e segundo porque eu tinha mais um passeio para fazer e não poderia me atrasar para voltar pra Bélgica 😦

As outras duas partes do castelo são hoje o Museu da Arte da Jardinagem (Museum of Garden Art) e, através da visita guiada, é possível ter uma verdadeira aula da arte da jardinagem, não apenas do palácio, mas também da cidade de Düsseldorf (que é super arborizada). Lá estão vários quadros, esculturas, livros e louças chinesas, além de exibições em audiovisual para ajudar a contar da história da jardinagem.

O Museu de Arte Natural é dedicado à história da região do baixo-Reno, conta a história da alteração do curso do rio durante o passar dos séculos, a pesca, a fauna e flora regional e a floresta que cerca o palácio. Desde 2014 o Jardim de Elisabeth, que é uma hortinha, mostra as ervas e vegetação naturais da região e busca alertar sobre a necessidade de preservação da biodiversidade.

[Valor de cada museu para: 6eur adultos, 3eur crianças, 4eur descontistas]

Agora, vamos para a parte que eu pude realmente conhecer: os jardins! E o melhor de tudo: grátis! Os jardins são gigantes, deve ser mais de 10 vezes maior do que o espaço das construções. E é um verdadeiro labirinto. Tem lagos, campos, hortas, parquinho para crianças, tem de tudo, inclusive espaços super românticos para pedidos de casamento (presenciei um). É um passeio gostoso para fazer com alguém, conversando e apreciando. Sozinha eu fiquei igual uma barata tonta, e estava muito quente, então cada vez que me perdia no labirinto, em busca de sombra, eu entrava um pouco em desespero. HAHAHA mas valeu a pena!

Depois de lá, peguei mais um transporte em direção às ruinas, ao norte da cidade, que é uma das regiões mais antigas dela. Um tram me deixou no ponto mais próximo. Desci uma rua principal de um bairro mais afastado – que mais parecia uma cidadezinha independente – e… me perdi. Alguns minutos depois, o Google Maps finalmente me colocou no lugar certo: uma trilhazinha. E cheguei ao meu destino: mais um passeio 100% grátis. Esperava encontrar mais turistas, mas pra minha sorte estava bem tranquilo, fácil de fotografar sem muita gente no fundo, inclusive.

O Kaiserswerth são ruínas do século X do Império Romano, dizem que o castelo até estava inteiro, até a população começar a pegar parte dele para construir suas próprias casas. Foi construído para servir de ponto temporário do Império Romano e, graças à posição estratégica (na beira do Rio Reno), foi tomado por diversos povos durante os anos, como os holandeses e os espanhóis. O legal é que, mesmo em ruínas, dá pra ver bastante do que restou: parte da cozinha, de salas, subir para o segundo andar com as escadas intactas, e dar uma bisbilhotada nos porões (esses estão de portões fechados, mas eu coloquei a cabeça lá dentro). A vista é maravilhosa!

Escontrei algumas pessoas fazendo fotos de cosplay, um belo cenário, realmente.

Depois dessa voltinha, fui para a estação central, a caminho da casa da Caro, buscar minhas malas para ir embora. Mas aconteceu o que eu não esperava: enquanto eu estava no metrô, minha passagem 24h expirou e, ao chegar na última estação (que azar), um fiscal pediu para escanear meu QR Code.

Eu não tinha a menor ideia de que estava vencido, então mostrei na maior tranquilidade (até porque eu não tinha outra opção), eram uns 5 fiscais por vagão, bizarro! Ele, que não era alemão (se fosse eu já teria me borrado ali mesmo, morro de medo de alemães), falou tranquilo comigo que havia expirado. Eu, na inocência, respondi: tudo bem, posso pagar por outra passagem então. O Inglês do moço não era bom, e ele pediu um documento de identificação. Nessa hora eu comecei a ficar nervosa: 1- não podia perder tempo, se não eu perdia meu ônibus 2- ele estava enrolando muito, eu só queria pagar logo e ir embora, por que essa enrolação? 3- eu tinha deixado meu passaporte na casa da Caro, esqueci dos que eu tinha na carteira. Me enrolei toda, e ele pensou que eu era ilegal, e disse para eu acompanhar ele até a delegacia!!!! “Você não pode andar por aí sem documento”, ele disse. Até que lembrei que tinha uma foto do meu passaporte no celular. Mostrei e voltamos ao ponto inicial: minha passagem. Demorou um tempo até ele me explicar com todas as letras que eu não poderia comprar uma nova, mas pagar uma multa por estar “sem passagem”.

Fiquei em choque, primeiro porque eu não estava. Digamos que eu tivesse uma passagem unitária: se eu tivesse entrado 16h na catraca, ela seria validada para a viagem, até que a viagem chegasse ao fim, certo? Eu entrei às 16h, mas às 16:20 a minha passagem (24h) estava expirada e ele não estava nem aí que eu entrei enquanto estava válida. Eu teria que pagar nada menos que 60eur! Detalhe: eu nem tinha 60eur. Quando eu digo que minhas viagens são low budget, eu tô falando bem sério!

Em completo desespero, insisti e chorei (literalmente) pra que ele deixasse eu comprar outra passagem 24h, eu tive que mostrar minha conta do banco e provar que eu realmente não tinha dinheiro, deu até pra ver a cara de pena do moço. Ele aceitou, mas ele não tinha troco e nenhuma loja da estação quis trocar. Em meio ao desespero, consegui respirar e pensar, então ele sugeriu que eu comprasse a passagem unitária, assim eu usaria as moedas que eu tinha. Enquanto ele estava imprimindo meu recibo (olha a modernidade! Quando que o cobrador de ônibus imprime recibo no Brasil?), um colega fiscal dele chegou e perguntou o que estava acontecendo. Em uma língua que não identifiquei, ele contou, mas o colega não foi nada legal: tirou um bolo de dinheiro do bolso e falou: 60eur! E eu respondi (mais sem paciência do que desesperada): eu não tenho 60eur! E o abusado disse: isso é um problema seu, não meu. TÁ TIRANDO? NÃO ACREDITO QUE VAI COMEÇAR TUDO DE NOVO! Mas aí eu respirei, de novo, e falei pro fiscal-bonzinho: você disse que estava tudo bem, fala com seu amigo. E o fiscal-bozinho falou pra ele me deixar em paz.

Nisso o fiscal-estúpido perguntou de onde eu era, falei que morava na Bélgica. Ele, espantado, respondeu: mas você não é belga, né? “Não, sou brasileira”, e aí ele olhou com uma malícia que eu só não comecei apavorar, porque eu já estava em uma posição não muito favorável.

Com o recibo em mãos, agradeci muito e saí correndo KKKKKKK eu estava morrendo de medo. Foi horrível! Comprei passagens unitárias pra pegar o ônibus/trem para a Caro, com ajuda de outros fiscais, e fui chorando mandando áudios pra todos. Quase me perdi de novo, mas peguei um trem certo, por um milagre. Chegando lá, me perdi pra ir da estação até a casa dela, e ela teve que me buscar no caminho. Tô falando, eu sou a pessoa que mais se perde no MUNDO!

Contei da aventura e ela disse que já foi multada também, nada de novo sob o sol. Peguei minhas malas, deixei uma caixa de chocolate belga pra ela na mesa, e fui de ônibus para a estação de ônibus pegar meu Flixbus. Ele chegou no horário certo, voltei pra casa em paz, finalmente!

Entrei na Bélgica como turista e mudei o status para Au Pair

Não sei se vocês sabem, mas cheguei na Bélgica como turista, apliquei para a Work Permit e para o visto durante meu período como turista, percebi que minha família era perigo e por causa disso tudo… busquei outra família e mudei de casa!

Quando novas meninas entram nos grupos de Facebook e Whatsapp dizendo que encontraram uma família, mas que não querem fazer o processo do Brasil, mas entrar como turista e aplicar direto da Bélgica, conto 10 segundos e espero as mensagens chegarem: NÃO FAÇA ISSO. VOCÊ É LOUCA! VAI DAR ERRADO. PARA, FAZ COM CALMA. NOSSA, BOA SORTE. E por aí vai…

Pra falar bem a verdade, 90% dessas que falam pra não fazer, vieram dessa forma. Conheço a história de apenas 2 meninas que realmente deram mole e não conseguiram que o processo desse certo: 1- a família era apaixonada por ela, não conseguiram fazer o processo dentro do prazo de 90 dias (visto de turista ao qual qualquer brasileiro tem direito quando entra no território Schengen), e por conta disso a mandaram de volta para o Brasil para realizar todo o processo de lá (inclusive pagaram por tudo, até mesmo as passagens!). 2- a família deu a opção: volte para o Brasil, por sua conta é claro, ou fique ilegal aqui. A garota escolheu a segunda opção e está até hoje na Bélgica. É aquele ditado: choices.

De resto, o que realmente não é recomendado: ir para uma família que nunca teve Au Pairs ou ir para a Bélgica na louca, sem ter fechado um match. Os porquês: famílias que nunca tiveram Au Pair não estão acostumadas a lidar com toda a burocracia, tempo e estresse relacionado. E ir na louca é isso, além de não ter nada certo e estar perdendo dias dentro do seu período de turista, você corre o risco de encontrar uma família novata.

Não é novidade que os europeus amam uma burocracia. Na França, tudo é por CORREIO! Você pede um chip de celular (pelo telefone) e ele chegará por correio… Numa dessas, uma amiga ficou 2 semanas esperando, e o chip foi perdido (risos de desespero). Na Bélgica muitas coisas também são pelo correio, talvez a maioria, ou pessoalmente. E-mail? Aguarde deitada e ouvindo uma música bem relaxante… vai demorar um tempo para receber uma resposta, isso quando eles entenderem a solicitação e responderem tudo de primeira. Telefone? Se você dominar o idioma, pode ser que consiga sua resposta, sem isso, espere por um bocado de grosseria (quase não falam inglês em Bruxelas, que é a capital, imagine só nas cidades menores), ou que desliguem na sua cara quando você tentar explicar algo em inglês.

Caso a sua família, assim como a minha primeira, já tenha familiaridade com o processo burocrático, não tem porque não ir. É óbvio que eu gostaria de ter saído do Brasil com tudo certinho: carteirinha da Permissão de Trabalho e visto no passaporte. Mas nem eu e nem a família queríamos esperar, a opção era entrar como turista.
Além disso, todas as au pairs deles tinham ido assim, e tudo deu certo. Confiei e fui.

Entrando na Bélgica como turista

Quando aceitei entrar como turista, esqueci do detalhe: o que eu iria dizer na imigração? Quando questionei meu host dad, ele respondeu: a verdade. Mostre a carta convite e diga que vai fazer o processo daqui. Não tentei a sorte, pois eu sabia que olhariam e responderiam: volte para o seu país e faça o processo de lá, não sou palhaço.

Gente, somos não-europeus, brasileiros e, no meu caso, mulher, recém-formada (desempregada) que não tem 1 motivo para estar presa ao Brasil. Eu poderia estar indo fazer o processo de au pair? SIM. Mas eu poderia estar mentindo para imigrar ilegalmente também.

Eu disse que estava entrando como turista, mostrei a carta convite que não exatamente tinha as informações que meu host dad tinha colocado sobre eu estar indo para aplicar da Bélgica e… ENTREI.

Em outros casos, vejo meninas que conseguiram a carteirinha da Work Permit, mas não teriam tempo de aplicar para o visto. Mesmo assim, já estavam no lucro. Com a carteirinha em mãos e a carta convite explicando a situação, elas entraram como turistas e dizendo que realmente estavam indo para aplicar. Nessa situação não tem que ter medo de ser barrada, você não vai.

O meu processo burocrático para o Au Pair

24/04/2019 – entrei no território Schengen
17/06 – recebi a Work Permit
01/07- prefeitura recebeu a solicitação da minha ID
17/07- reenvio da solicitação da ID*
18/07- recebemos, por e-mail, o reenvio do meu contrato de au pair, o que eles receberam para a WP estava com a data de 2018
19/07- reenvio do contrato
22/07- recebi por e-mail o aviso de ir até a prefeitura da cidade para tirar minhas digitais, dali seriam até 10 dias úteis até o recebimento da ID
30/07- recebi por carta o aviso de que eu poderia buscar a ID na prefeitura

*Como eu tinha uma viagem marcada para os EUA, teria de sair não apenas do território Schengen, mas do continente europeu. Imagina meu cagaço de não conseguir entrar? Ou de perder minha passagem que custou o total de 2 salários?
Tirando esse pequeno grande detalhe, eu planejava sair no início de agosto da minha família e ir para uma nova família em Bruxelas, e só poderia fazer isso caso estivesse completamente legal no país (com todos os documentos), pois já ouvi casos de famílias que entraram em rematch antes da ID chegar e, simplesmente, cancelaram a ID da au pair em segredo, o que impossibilitou ela de ficar no país ou arrumar outra família.
Levando toda essas informações em consideração eu, literalmente, peguei minha bike e fui até a prefeitura, pedi para me informarem a qual pé estava meu processo. Fui informada que a solicitação da minha ID, que poderia ter sido feita no mesmo dia em que recebi a WP, ou seja, no dia 17 de junho, foi realizada meio mês depois – meu host negou, mas os fatos são os fatos. Graças à minha insistência, a prefeitura reenviou o pedido para o escritório geral (em Bruxelas) e passou a me informar, diretamente no celular e e-mail, das novidades.

Fique bem atenta durante o processo. Além de você não ter o tempo a seu favor, você não tem a família. É claro que é do interesse deles que você esteja legal, assim eles não correm nenhum risco legal de arrumar problemas, mas caso você passe a estar ilegal/sem documentos, você será automaticamente descartada. Eles não são sua família. Você é uma funcionária e para de ser quando der algum problema. NÃO SEJA ALICE!

Meu host não gostava de ser questionado, nem de ser frequentemente lembrado dos prazos e da minha pressa. Quando pedi o “número de protocolo” para poder saber o status do processo, ele disse que não tinha. Aí eu me pergunto: amado? Como VOCÊ segue o processo se não existe um número? Algo de errado não está certo.
Só descobri que o tal número está impresso na Work Permit quando fui até um advogado – assunto para outro post. E com a Work Permit+Passaporte em mãos é que consegui ir até a prefeitura dar um acelero naquela cambada. Aliás, eles quase não falavam inglês, foi complicado, mas deu certo.

Fiquem atentas ao correio! Se você desconfia que sua família é perigo, mais ainda. A garota que teve a ID cancelada chegou a receber a carta dizendo que poderia buscar na prefeitura, o problema é que ela estava viajando, e quando chegou e pediu a carta, a hosta se fez de desentendida. A carta é muito importante, porque além de ser a prova de que você é você, nela contém uma senha exclusiva da sua ID, e a ID só pode ser validada (é tudo feito no computador, através do chip) com a senha e a sua digital.

Quais documentos são necessários para todo o processo?

Eu, honestamente, não tive nenhum trabalho para o processo. Já que minha família tinha tudo pronto, graças às última 3 Au Pairs que eles tiveram (não sei como sobreviveram), eles só alteraram as informações dos documentos. Meu único trabalho foi o de traduzir meu diploma, tirar os antecedentes criminais, apostilar e o traduzir.

Mas vamos aos detalhes, todas as informações você encontra em uma pesquisa rápida do Google, pequeno gafanhoto preguiçoso: no site do Ministério do Trabalho belga, eles colocaram um passo a passo, que vou traduzir.

  • cópia do passaporte (as duas páginas plastificadas, que contém sua foto e informações pessoais)
  • cópia da tradução juramentada do seu Histórico Escolar do Ensino Médio ou Diploma da Universidade, o qual for mais conveniente pra você. Pra mim, foi o Diploma, visto que a tradução cobra por palavra traduzida, meu diploma continha menos palavras do que o Histórico, então saiu mais barato
  • para algumas prefeituras: antecedentes criminais, ou seja, FICHA LIMPA TÁ MENINAS? Você gera sua ficha online no site da polícia federal, sem custo algum, é só colocar seus dados. Mas para ter valor: leve até os cartórios liberados para apostilar documentos (busca no google, existem listas), apostile seus antecedentes e depois disso leve até um tradutor juramentado
  • atestado médico assinado por um médico credenciado pelo governo belga (listas no google, de acordo com os Estados do Brasil. Não são todos os Estados que têm médicos reconhecidos, talvez você tenha que viajar até RJ, SP, BA, DF…) ou, caso aplique para a WP da Bélgica: qualquer médico belga pode assinar. O diferencial entre BR e BE: no BR você terá que pagar a consulta (mínimo de R$200)+exames solicitados, alguns você consegue fazer pelo SUS (sangue, por exemplo), outros não (raio-x do tórax); na BE eu fui numa clínica geral da família, ela me deu uma olhada geralzona e assinou
  • prova de que você está matriculada em um curso de línguas – deve ser a língua da região que você mora. Eu morava na flamenca, portanto eu obrigatoriamente teria de estudar holandês (poderia estudar outras línguas também, desde que o holandês fosse a primeira)
  • contrato de Au Pair assinado por você e pelos host parents
  • certificado de que a família pagou por um seguro-saúde que cobre repatriamento, se necessário, durante todo o seu tempo de visto (1 ano)

Esses documentos acima, junto com o documento específico para a solicitação, são para o pedido da permissão de trabalho (Work Permit), e deverão ser enviados pela host family, conforme esse link explica. Caso os documentos estejam OK e sua WP for aprovada, você recebe a carteirinha azul e pode aplicar para o visto (caso esteja no Brasil) ou para a ID (caso já esteja na Bélgica).

Image result for residence card belgium
Modelo de ID belga. Acho chique.

Last, but no least

Com todos os documentos em mãos e sua situação regularizada na Bélgica, você têm o governo e as leis do seu lado. Sendo assim, não avacalhe!

Brincadeiras a parte, fique sempre atenta: você não é da família deles, você não é belga, você está ali para trabalhar – na visão deles. Não deixe que eles montem em você esperando que te darão amor e afeto, porque não vão. Não trabalhe mais do que as 20h permitidas e, se trabalhar (todas trabalham hahaha) combine o valor ANTES ou, no mínimo, tenha certeza que terá aquela quantidade de horas extras em dias de folga.

Saiba que, diferente de outros países, a Bélgica só permite que você mude de família 1 vez. Eles só emitem 2 work permits por au pair dentro do período de 1 ano, então se você estiver na primeira família com sua work permit número 1 e, assim como eu, quiser trocar de família, escolha bem, porque será sua segunda e última chance. Além disso, trocar de família não renova ou dá mais tempo de visto. Você pode ter 11 meses com a família 1 e trocar para a família 2, você só poderá passar 1 único mês com a segunda.

A WP é o documento mais demorado, na opinião de TODO MUNDO, e pode levar 1 mas também 6 meses para ser emitida, a média é de 3. Fui para a segunda família e passei 3 meses com eles, fui demitida e não recebi a WP (rindo com respeito). E ah! Para emitir uma nova WP, especialmente se não for na mesma região (a minha segunda região foi Bruxelas), é necessário fazer o processo do 0: enviar um novo seguro-saúde, matrícula, tradução, exame médico etc.

Caso você esteja pensando em trocar de família: encontre uma nova família em silêncio, não levante suspeitas. Existem MUITOS casos, a maioria deles, de famílias que foram informadas pela au pair de que elas queriam um rematch e se revoltaram contra as meninas, expulsando-as da casa no mesmo dia ou dando o limite de 1 dia para saírem, mesmo sem terem para onde ir. Tenha certeza de que você terá um lugar para ir. No meu caso, minha família 1 surpreendentemente não me expulsou, fiquei alguns dias na casa até a minha segunda família me buscar (ok, a primeira família precisava muito de mim, eram férias de verão).

PODE SER ÚTIL:

Minhas traduções eu fiz na Easy TS de São Paulo. Eles têm escritório em Curitiba, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Campinas e na melhor cidade do Brasil, aka São Paulo. Os preços são bons (não fiz muitos orçamentos, pois estava com pressa & preguiça), são extremamente rápidos (2 dias úteis), de segurança e acessíveis (fazem o orçamento super rápido, online, e todo o processo é por e-mail). O único defeito é que na hora da retirada, eu busquei pessoalmente, mas existe a possibilidade de pagar o Sedex, fui tratada mal, e olha que eu fiz várias traduções com eles, a primeira pro Au Pair (abril) e a segunda para a pós-graduação (em novembro), um processo caro e, sempre, tratam a gente com extrema grosseira na hora da retirada, como se estivessem nos fazendo um favor de graça. Indico eles por conta da agilidade, mas se eu um dia conhecer alguém que faça os trabalhos em até 2 dias, paro de indicar eles 😀

GLOSSÁRIO

Carta Convite: sua host family deve escrever uma carta na qual se responsabilizam por você, pela viagem e explicam para os funcionários da imigração que você será uma au pair. Não deixe de especificar: nomes completos dos host parents (pai e/ou mãe e/ou responsáveis legais pelo seu processo de au pair), documento deles (passaporte ou cartão de identidade), endereço completo, telefone para contato válido – peça para eles ficarem atentos no horário que você desembarca, caso tentem ligar e não atendam, você pode acabar na salinha até que consigam contato, seu nome completo e número de passaporte.
Work Permit: é uma carteirinha de papel contento suas informações e da família, especificando qual sua função de trabalho e validade (a mesma validade do visto);
Visto: um adesivo com sua foto e dados pessoais que vai colado no passaporte. Você só recebe o visto quando aplica para o processo do Brasil. Caso aplique da Bélgica, como eu fiz, você não terá um visto, apenas uma PERMISSÃO DE RESIDÊNCIA (o valor, na prática, é o mesmo). Para receber o visto, você precisa primeiro ter a Work Permit;
ID card/Residency card: é a permissão de residência e pode ser usado como carteira de identidade. Um cartãozinho de plástico que você retira na prefeitura do seu bairro (quando mora em cidades grandes) ou cidade. Há um chip nele e, depois de validado na prefeitura, contém seus dados e endereço. Para conseguir o cartão, você precisa primeiro ter o visto (ou, no caso de quem aplica da Bélgica, a Work Permit).

Encontrando a host-family perfeita e/ou fugindo de famílias perigo

Depois de decidir o país para fazer o sonhado intercâmbio, vem a pior parte: encontrar a família perfeita. Não querendo te assustar, mas já assustando, o seu ano perfeito como Au Pair depende de uma família no mínimo decente, afinal você vai trabalhar e conviver com seus chefes, então você vai precisar tolerar essa barra que é a vida com a host family.

Eu mesma pensava “nada a ver, eu quase não vou ficar com eles. Nos finais de semana eu viajo, passeio, me mando da casa. E quando eu estiver off eu me tranco no quarto e tudo certo!”, ERRRRRRRRRROU. Minha primeira família aqui na Bélgica estava longe de ser a família perfeita, a ponto de eu não tolerar mais ficar por perto quando chegava o fim do jantar. Foram quase 4 meses tensos, trancada no meu quartinho de elfo doméstico e pensando: o que que eu tô fazendo com a minha vida?!

Pensando nisso, vou te contar algumas dicas básicas para o processo de procura de famílias & como conviver (ou não) com elas depois da sua chegada à casa.

Primeiramente, fora Bolsonaro, segundamente, para encontrar uma família nos países da Europa é bem simples: ou você cria um perfil no Aupairworld.com (existe também o aupair.com, mas esse eu nunca sequer me cadastrei, então não faço ideia de como funciona), ou você entra nos grupos de Facebook destinados a busca e procura de Au Pairs e Host Families, além dos “grupões”, em que sempre existem meninxs oferecendo as famílias quando o ano delxs está vencendo – geralmente no fim do ano letivo, meio do ano, verão europeu.

Dois dos grupos em que estou são o Au Pair in Belgium, foi neste que encontrei a minha primeira família, através de um post que eles mesmo fizeram em inglês. E também o Au Pair in Belgium/Belgie/Belgica, em que existem anúncios do mesmo tipo, alguns em holandês.

Crie uma mensagem ideal para enviar às host-families

Feito o seu perfil no AuPairWorld, o próximo passo é criar uma mensagem padrão pra você copiar e colar para todas as famílias, tanto as encontradas na plataforma, quanto as no Facebook – quando pelo FB, procure enviar um inbox e no comentário do post da família avisar que enviou uma DM (ou PV, private message). Não tem muito segredo, comece a mensagem com um “dear future host family” e comece a se apresentar: seu nome, nacionalidade, idade, profissão/graduação que teve no seu país, motivos para ter escolhido o país para o programa, algumas curiosidades sobre você que possam parecer interessantes para a posição de Au Pair e sua disponibilidade.

Não diga tudo, mas também não envie uma mensagem super curta, deixe a curiosidade no ar para que a família sinta-se atraída pelo seu “anúncio” e te procure para possíveis entrevistas.

Vou deixar a mensagem que enviei para as famílias, pode copiar, mas mude as informações para que elas sejam verídicas. É sério, não por mim, mas se você mentir, uma hora a família descobre – seja durante a entrevista, te stalkeando ou quando você estiver com “tudo ganho” na casa deles. Por exemplo, vi meninas que falaram da boa experiência dirigindo, mas não conseguiam pegar no volante e a família pediu rematch por terem mentido quanto a isso. Outros casos eram quanto a falar o idioma; juravam falar francês e com algum tempo na família, não conseguiam se comunicar com as crianças e também sofreram com o pedido de rematch. Se você não tiver muita experiência com crianças, fale, e se você não quiser contar e quiser arriscar (sinceramente, foi o meu caso), tenha em mente que você vai ter que engolir muita coisa e aprender na marra a trabalhar sua paciência durante 1 ano.

Dear family, 
My name is Ellen and I recently graduated in Journalism. I’m 23 years old, and already lived in Europe (London) for two years during 2008 and 2009 with my mom, step dad and aunt. I’m hoping to become an aupair in Europe because I really want to learn another language and live the experience with a local family. Also, I’m very responsable, funny and enjoy being around babies and children – I have a 5 year old brother and helped taking care of my younger cousins since they were born. 
Currently I’m not working as a journalist, I’m focusing on finding the right family and maybe getting in a post graduation program in Arts History – I really love art, museums, new places in and outside my hometown. Hopefully we can talk further and maybe I become your next aupair!

Sincerely,
Ellen.

Esta foi a primeira mensagem que escrevi, lá em janeiro, quando meu foco principal era França. Eu estava bem doida e mandei mensagens para famílias na Itália (até então, não sabia que não era legalizado o programa lá e que, no máximo, eu conseguiria ficar 3 meses como turista), Bélgica, França e Alemanha. As italianas até aceitaram bem, mandaram textões com informações sobre eles, a vida na cidade, pediram mais curiosidades sobre a minha personalidade mas, no fim, é claro que não deu em nada. Inclusive, uma das famílias, composta por duas mães <3, é que me disse: se você não estiver vindo para aplicar para a cidadania italiana, você não consegue ficar mais de 3 meses, então não funcionaria. TRISTE.

Como fechei o match com a família errada (que me deu sinais desde o início, mas eu fechei os olhos)

Com a família que eu realmente fechei o match, na Bélgica, enviei uma mensagem bem rápida dizendo: “fui informada (provável que vi em algum post de um grupão) de que a sua família está buscando por uma au pair, aqui está o link do meu perfil no APW, se estiverem interessados”, isso aconteceu no dia 31 de janeiro de 2019, e apenas no dia 9 de março o host-father me respondeu, pedindo desculpas pela demora e explicando que a au pair deles não ficaria mais e então precisariam mesmo de uma nova para o final de abril. Legal, eu disse que ainda estava procurando, ele disse que a família falava holandês e se eu estava OK (eu disse que sim, não sabia que era uma língua tão horrorosa), perguntou minha experiência com crianças e eu basicamente disse o que está na minha mensagem padrão (meu irmão, meus primos e também algumas aulas particulares/reforço escolar que realmente ministrei durante meu ensino médio).

Acontece que eu já tinha dito duas ou três vezes as datas que eu estava disponível – no caso, minha formatura era no meio do mês de abril, eu poderia viajar logo depois. Mas resolvi viajar somente na última semana do mês e ficar 1 semana a mais para a festa de aniversário do meu irmão – mas o abençoado não gosta de reler mensagens, pelo jeito. Então ele me perguntou mais uma vez quando eu estaria disponível e respondi objetivamente: no final de abril.

Depois disso o ranço se instalou para todo o sempre. Por que? Porque ele respondeu: é só comigo ou essa não é uma conversa realmente fluente? mano do céu, não sei o que este cidadão quis dizer com isso até hoje, será que ele estava falando do meu inglês mesmo? Estou sentindo falta de mais interação, interesse e tal. Ou sua personalidade é tímida por natureza mesmo? Eu não sinto um mau pressentimento, mas também nada de especial em você… só estou checando.

FALA PRA MIM SE NÃO PARECE AQUELES CARAS DO TINDER QUE RECEBEM UM NÃO E QUE COMEÇAM A TE OFENDER, OU OS CARAS DA BALADA QUANDO VOCÊ DA UM FORA: VOCÊ NEM É BONITA, VOCÊ SE ACHA, NEM QUERIA MESMO, ESTAVA FAZENDO CARIDADE. HOMENS… O CÂNCER DA HUMANIDADE.

Na hora eu já meti um: excuse me? Mas estou te respondendo todas as suas perguntas. Eu tenho certeza que o amado queria que eu ficasse igual um bobo da corte babando o ovo dele, vai ver se eu tô na esquina, meu anjo!

Então o querido respondeu que não queria me ofender, mas sentia que era um monólogo e que não conseguia ver a minha personalidade. É claro, eu respondia as coisas e ele dormia e voltava a conversar no dia seguinte sem nem fazer perguntas. Só dava ataque mesmo. Creindeuspai!

Nesse momento já era pra eu ter metido o famoso louco e saído fora, mas não…

Então eu falei que era exatamente por conta disso que eu pedi uma chamada de vídeo, para ter uma conversa decente. E ele, claro, falou que era difícil porque os horários não batem. Complicado, né amores? A família vai colocar uma estranha dentro de casa pra cuidar dos próprios filhos mas não pode abdicar de um tempo pra fazer entrevistas aprofundadas e saber se não estão contratando uma psicopata. Realmente tenso.

Já que o queridão queria perguntas, mandei logo uma lista. Vou postar aqui em inglês mesmo, e você também pode copiar, acrescentar ou tirar algo dela. Em negrito vou adicionar algumas perguntas que são muito essenciais e eu como Au Pair de primeira viagem não sabia:

– Have you had aupairs before? Are they brazilian? Can I have their contact?
– Are there near language courses? If yes, will it be paid by the aupair or by the family? If it’s not close, consider the same questions + what about the transportation to the language course?
– In France they ask for a recognised course to get the aupair visa, what about in Belgium? Resposta: não precisa de um curso reconhecido, como acontecia no antigo processo para a França, mas é preciso de uma matrícula em um curso da língua da região em que a família mora, obrigatoriamente. No caso dessa família, na parte flamenca, o curso deveria ser de holandês.
– Do the kids speak English? Until I learn your language would speaking English be a problem?
– What do the kids enjoy doing?
– Do you already have a schedule of work?
– In France, kids don’t have school on wednesdays, does that also happen in Belgium? Resposta: as crianças só têm aula até meio-dia às quartas-feiras, o resto do dia estão livres, ou seja, ou os pais colocam em atividades ou elas ficam contigo. No caso dessa família, a avó chegava às 10am e eu tinha o resto do dia de folga.
– Where is my room and do I have Wifi (and/or other amenities) and a private bathroom or a shared one with the kids?
– How much are you willing to pay for the aupair and what method (weekly/montly, by cash or by a bank deposit)?
– Do I need to drive? I do have a driver licence for 4 years now. Are the kid’s school close to the house? Do they do other activities?
– What is there to do at your city? Is the house close to the city center and a bus stop or train station?
– Can I ask for the food I’m used to from the grocery shopping? (I’m a vegetarian) Ah! gente, pelo amor de tudo, tenham semancol: você está indo fazer um intercâmbio cultural. Quer carne gaúcha? Fique no Rio Grande do Sul. Quer comer açaí na sobremesa todos os dias? Continue no Brasil. Fora isso, acho indispensável a família também ter flexibilidade, afinal eles estão na troca cultural também, e nem todos gostam de comer as mesmas coisas que eles. Eu comia, mas senti falta de coisas básicas, que pedi na primeira semana e não foram compradas durante os 4 meses que estive lá: salsinha, cebolinha, suco de laranja, limão, açúcar, feijão – sim, tem feijão aqui, custa tipo 2 euros e são facilmente encontrados na parte italiana dos mercados.

– Will I be incluided on the families activities, as part of the family, or you rather prefere for you to have private family time?
– Am I allowed to bring friends over (weekends) and family (vacations)?
– Do I have a curfew?
– Do I have my own bike? Aqui é bem comum a galera ter bike, tipo, não sei se existem famílias que cada membro não tem a sua própria. Na primeira família a bike da mãe era muito alta e me machucava, reclamei e compraram uma pra mim, sdds dela inclusive.
– Will I do housework? If so, during my 4 working hours or as an extra?
– Will I do extra hours? If yes, how much do you usually pay?
Do I have weekends off?

Ser responsável pela limpeza da casa da host-family

Essas três últimas perguntas são muito mas muito primordiais no momento de fechar o match. Durante o meu primeiro mês eu jurava que conseguiria colocar a família toda na linha com a questão da limpeza. Eu fazia a faxina de uma casa gigante, sozinha, e ninguém contribuía para manter a limpeza ou organização: na manhã seguinte tudo estava sujo, bagunçado, era como se eu não tivesse limpado na-da! Além disso, estava no meu schedule (claro, o não oficial, já que o oficial dizia que eu só trabalha 4h/dia, e não +7h/dia).

Horas extras (tudo o que vier depois das 4h/dia permitidas) e pagamento extra

Minhas horas extras seriam pagas com dias de folga, até então eu super achei que compensava, mas sinceramente… não! Além do pai contabilizar a hora do jeito que ele estava afim, eu nunca, em meses, recebi as prometidas horas de folga, foram mais de 90h trabalhadas de graça. Enquanto isso, a minha nova família me paga para fazer qualquer coisa que ultrapasse as 4h/dia permitidas por Lei. Recebo 6 euros por hora extra: eu mesma pedi para fazer a limpeza da casa, além de fazer outros serviços como: laundry da família, regar plantas, mercado se necessário e babysitting mesmo. Acho justíssimo, mesmo não sendo um valor alto, é um extra, eu não preciso sair de casa, pegar transporte ou tirar meu pijama, se eu não quiser.

A importância do final de semana de folga

E sério, final de semana precisa ser folga, minha gente! Não existe essa. Você está vindo ser Au Pair porque o seu sonho é ser babá de crianças gringas? Ou porque o seu sonho é ficar o dia todo servindo famílias gringas, pique governanta? Acho que não, né? Você está vindo para juntar grana, viajar, estudar, conhecer a Europa! E você JURA que se não tiver o final de semana todo livre você vai 1- ter fôlego pra isso 2- ter tempo pra isso 3- ter companhia de outras Au Pairs e/ou qualquer ser humano durante seus passeios? Resposta: não vai. Todos folgam aos finais de semana, é quando você descansa, caso não vá fazer uma viagem ou passeio. É quando tudo acontece, é quando as passagens de trem (weekend pass) são mais baratas, exatamente porque entendem que aos finais de semana as pessoas querem explorar a cidade, país, continente.

Quer um exemplo de uma amiga minha que eu não aguento mais dizer pra pedir rematch? A fofa veio através de uma agência e assinou um contrato que diz que teria 1 dia durante o final de semana e 1 dia durante a semana de folga. Em 1 mês de Bélgica ela conseguiu sair sozinha em dias de semana por… BRUXELAS, porque pra sorte dela ela mora no centro da cidade. Ela conseguiu ir a uma festa comigo e voltar cedo pra trabalhar virada no DOMINGO seguinte, também. Não basta não ter fds off, ela não tem coragem de pedir pra folgar domingo e segunda (um pseudo fds), sabe-se lá porquê. Gente, simplesmente não sejam essa pessoa.

Fique atentx e, se necessário, peça o rematch o quanto antes!

Um mês se passou na casa da família: limpeza sempre sendo feita, nunca mantida. Listinha de mercado enviada, mas nunca atendida. Família não saía muito de casa, pelo menos não nos poucos finais de semana que estive em casa, então eu não sabia muito da rotina do final de semana e dos hábitos de contato com amigos e familiares… parecia que simplesmente não existia.

A minha primeira bad foi no segundo final de semana. Eu havia viajado para Ghent no primeiro, e no segundo estava em casa mesmo. Era aniversário da menina mais velha e os pais decoraram tudo para o café da manhã (no sábado) durante à noite (de sexta), enquanto eu estava mimando ela, fazendo as unhas, para ganhar o coração da criança. Antes de dormir, enviei uma mensagem para a mãe dizendo que poderia deixar a menina me acordar na manhã seguinte, já que era aniversário dela. A menina me acordou, eu não estava entendo muito, mas parece que eles já haviam tomado café da manhã sem me convidar. Quando eu desci, como quem não quer nada, a família estava toda pronta pra sair. Claro, eu também não havia sido convidada, ou informada, ou nada do tipo. Como todos me olharam, eu sorri e disse bom dia, mas ignoraram e voltaram a fazer o que estavam fazendo. Isso mesmo, me deram um gelo e até hoje eu não sei o motivo.

Enquanto eu estava na cozinha sozinha tomando meu café, todos passaram por mim e saíram. A aniversariante foi a única que me deu tchau. Engoli seco e passei a manhã me excluindo no quarto. De quem eu não sei, já que eu estava sozinha em casa hahahaha. Algumas horas depois eles voltaram e o pai perguntou, por mensagem, se eu gostaria de ir com eles até o parquinho, já que a menina ganhou uma nova bicicleta. Eu fingi que nem li a mensagem, achei uma baita cara de pau, ainda mais que sabemos que host-family chamando pra parque/praia= trabalhar de graça.

De forma resumida, outros B.Os que tive que engolir antes de, finalmente, pedir meu rematch. Você deve estar se perguntando: por que ela aguentou tanta coisa se, desde o começo ela já estava infeliz? Resposta: eu fui como turista e apliquei para o visto já na Bélgica. Enquanto minha ID (visto) não saísse, eu não poderia sair da casa, com risco de cancelarem minha WP (permissão de trabalho) e cagar todo o processo – vou explicar detalhadamente sobre o processo de rematch em outro post. Então tive que aguentar bastante coisa por 3 meses, infelizmente.

  • Nunca saí com a família, nunca me convidaram ou mostraram que eu era parte da família
  • Tanto a família da casa, quanto os familiares que visitavam ou os amigos falam holandês e inglês. E, mesmo sabendo que eu não entendo nada de holandês, jamais fizeram a gentileza de falar em inglês para que eu me interasse nas conversas. No máximo oi e perguntas referentes à comida, tipo: você já comeu isso antes?
  • Eu nunca tive a opção de adaptar meus horários de trabalho, eles me enviaram enquanto eu estava no Brasil, dizendo que seriam 25h/semanais (já são 5h a mais do que o permitido) e que eu teria meus dias de folga para compensar. Enquanto eu não fui de fato pedir, nunca mencionaram, faziam vista grossa, eu trabalhava trabalhava e trabalhava…
  • Além do bom dia pela manhã, e às vezes “oi” durante o dia quando alguém chegava, nunca tive outro contato com eles. Não perguntavam como eu estava, se precisava de algo (mesmo quando eu comentava que estava doente, passando mal etc), se algo aconteceu. Detalhe: não queriam saber nada de mim, mas também nada das crianças. 100% das vezes que eu comentava algo do dia era uma iniciativa minha de puxar um assunto
  • Piadinhas infinitas sobre a grandiosidade da Europa e, principalmente, da Bélgica (com foco na região da Antuérpia) em relação ao resto do mundo. Piadinhas sem fim de como brasileiros são esquisitos, estragam todas as comidas, são doidos, têm costumes estranhos e não gostam do próprio país e por isso vêm para a Europa
  • Host-father mentiroso: mentiu sobre o tempo de permanência da primeira au pair deles, a única que não é brasileira; mentiu sobre meu schedule e também mentiu sobre a proximidade da casa com o “centro da cidade”. O centro em si, era a uns 15 minutos andando, já que o centro era a rua principal do vilarejo. Mas a cidade que ele dizia era a Antuérpia, segunda maior cidade da Bélgica. Por mensagem: 30 minutos! Na realidade: 15 minutos andando até o ponto de ônibus + 50 minutos de ônibus até a Estação Central, taokei?
  • Minha saúde e reclamações em último lugar na lista de prioridades, afinal, eles nem precisam que eu esteja inteira para cuidar dos filhos deles, né nom? 1 mês antes de vir para a Bélgica expliquei que não posso dormir com claridade, se não tenho enxaquecas fudidas. Com 3 meses na casa, crises de enxaqueca o amado não apenas não colocou o blackout que eu implorei, mas fez isso ser o motivo de uma discussão, já que considerou que não era urgente, uma vez que colocou um saco de lixo preto colado na minha janela e, naquele momento, a prioridade era a construção da piscina no jardim.
É sério meus irmãos e irmãs, meu blackout era o saco preto de lixo na janela

A lista pode continuar sem fim, mas acho melhor continuar essas questões pontuais em um post em que falo do meu processo de rematch.

Finalmente, encontrei minha família perfeita (espero)!

Já de saco cheio, estava decidida a trocar de família assim que meus documentos chegassem. Então fui em busca de famílias que atendessem aos meus requisitos:

  • pagar pelo curso de línguas e transporte mensal
  • morar em Bruxelas
  • falar francês
  • no máximo 2 crianças (dei preferência para meninos, muito mais fáceis de lidar, ainda mais que u tenho alma de moleque)
  • 20h/semana e que me pagassem extras
  • soubessem à risca as regras do programa e não me explorassem
  • estivessem abertos a realmente ter uma troca cultural: me incluir na rotina e atividades, e me tratar bem, afinal eu quero viver em um ambiente gostoso e não trancada no meu quarto
  • ter uma casa limpa e tomar banho todos os dias

Encontradas as famílias que se encaixavam, segundo o perfil delas no APW, mandei as mensagens. Uma em especial me chamou atenção: mãe solteira. Depois do trauma de ter um host-father uó, a ideia de lidar com uma mulher parecia maravigold, até porque eu também sou filha de mãe solteira. Segue a mensagem que enviei:

Hello there,
I am an aupair close to Antwerp and I’m currently looking for a family who speaks french and lives closer to Brussels. I take care of a 9 months old boy, a 3 year old girl and a 7 year old girl but learning french in a dutch-speaking family is a little difficult and also I often visit Brussels and felt in love with this part of Belgium.
I’m brazilian, 23 and I speak English, Portuguese, and I can read in French but not yet communicate. 

My mom was also a single mom of two so I understand how an aupair can be handy. Besides that, italian is also one of the languages I dream of learning, so it would be awesome to share the year with you guys. I can cook simple dishes (mostly pasta, vegetables and rice/beans) and I’m a vegetarian so cooking meet isn’t something I really do (except if you ask me to fry or bake something that is pre-made and won’t need me to taste if its good ). I’m a very clean person, as we all brazilians are, super tidy and organised- I do the cleaning at the house I currently live in. I have a driving licence but since I ride the bike with the kids here, I will need some patience until I get used to it again (I mean, I can perflectly drive but at the beginning I will do it slow). 

If you’re interested in my profile let me know. I’ll be free from September, cause my family needs me during the summer holidays and I might also help them find their next aupair 🙂

No fim, foi a única família que fiz entrevista, foi tudo extremamente rápido (e em sigilo, já que minha família antiga não poderia saber do rematch antes dos documentos estarem prontos). Minha nova hosta é compreensiva, super justa, querida com os filhos e só precisa de mim porque acaba de se divorciar e a família toda mora na Itália. Enquanto durante 3 meses eu sequer fui até a esquina com a minha antiga família, em menos de 1 mês conhecendo a nova (eu ainda estava como au pair na antiga!) eu almocei, ri, compartilhei planos do futuro, fui a um festival, brinquei, levei em play date com a mãe e me apaixonei pela nova host family. É claro, eles não são perfeitos, eu também não sou, não moram lá muito perto do centro, mas estão em Bruxelas; embora falem francês, em casa o que predomina é o inglês (60%) e italiano (40%). Só ouço francês quando a hosta fala com a mãe dos vizinhos ou quando os meninos vêm chamar meu menino mais velho (9 anos) pra brincar.

A plenitude de alguém que estava, em um domingo, com crianças em um festival muito gostoso que acontece há mais de 40 anos em Bruxelas com as futuras host-kids. Eu construí esse projeto de barraca com o kid de 9 anos.

A boa parte é que logo começo meu curso de francês, poderei praticar na rua com a criançada vizinha, ou quando eu sair bater perna por Bruxelas. O importante é que até agora está tudo sob controle e tenho mais firmeza pra dizer que encontrei a família certa pra mim, apesar dos desafios que vêm pela frente. Let’s que let’s.

Entrevista com host-family: como não parar em uma família homofóbica

Para todxs potenciais au pairs, o Skype com a família é uma grande fonte de ansiedade e nervosismo. Não tem como ser diferente, afinal você está escolhendo uma família para não apenas trabalhar por 1 ano, mas para compartilhar sua vida e estar na mesma casa. Mas para os LGBTQ+, as entrevistas com a família são um buraco bem mais embaixo.

Sempre vejo nos grupões do Facebook alguns posts perguntando “como falar pra host-family que sou gay/bi/lésbica”? Algumas respostas são meio óbvias: chega, e fala. Mas para algumas pessoas, assim como se assumir para a família e os amigos, chegar soltando isso em uma entrevista de emprego (não deixa de ser), é bem complicado. Para algumas pessoas, o programa de au pair é muito mais do que sair pra viajar pros EUA/Europa, mas é a primeira grande oportunidade de realizar um sonho de conhecer outra cultura, finalmente poder aprender um novo idioma ou até de conseguir juntar uma grana necessária para mandar pro Brasil.

Pensando nisso, não é tão simples dar uma informação tão poderosa para desconhecidos que podem simplesmente te negar um match perfeito.

Vou contar sobre algumas experiências que li nos grupos da vida, incluindo a minha própria. No meu caso, o primeiro match que eu quase dei, com a família francesa de Blois, foi uma questão de feeling. Acreditem, esse negócio de feeling durante as entrevistas e na hora de escolher a família é real, por isso, façam muitos Skypes, não tenham medo de conversar, perguntar, dar risada e tentar captar o máximo da vibe da família que você conseguir! Mas voltando ao assunto principal… a família era composta pelo pai, mãe, cachorro, uma filha de uns 14 anos, um de uns 16 (que não morava na casa, estava no College, ou algo do tipo) e dois menores que eram adotados, um menino e uma menina, nascidos no Quênia. Logo pensei: uma família que já têm dois filhos biológicos adotou outros dois filhos (não sei se quando bebês, ou já grandes), então devem ser no mínimo mente aberta para novidades e diferenças, certo? Acho que sim.

Não fui para a família, nunca trouxe o questionamento LGBTQ+ para as conversas. Eles, por outro lado, já me perguntaram no fim da primeira entrevista: “pergunta pegadinha: o que você acha sobre o Bolsonaro, presidente do Brasil?”. Nesse momento voltei a pensar: nenhum ser humano gringo que apoia o asno me perguntaria isso, né? Espero que não. Então eu sutilmente desci a paulada no Bolsonarcos, dizendo que ele está destruindo o país.

Nota: isso foi em janeiro, eu mal sabia o que estava por vir (do governo Bolsonarcos)… risos de desespero

Enfim, acabei não indo para a França e conversando com uma família que se tornou minha atual host-family na Bélgica. Família composta por: pai, mãe, cachorro, duas meninas e um bebê menino. Os pais super jovens, viajam até que bastante (viajavam, né, depois que cheguei nunca nem vi. Pelo menos, não comigo), apreciam uma boa bebida alcoólica, já foram na Tomorrowland belga, brasileira, baladas em Ibiza, shows de techno etc. O que você pensa? “OMG! Família liberal, cool, jovem, vida loka, vamos beber juntos, sair, conversar, rir muito, que alegria”. Eu até falo de alcóol com meu hosto, antes, mais. Antes, eu conversava quase todos os dias com ele por mensagem, até mostrei as caixas de Absolut que eu levaria para o meu baile de formatura – sdds, inclusive.

Chegando aqui, ainda continuei pensando que eram bem liberais. Já bebi champanhe no horário de trabalho com eles e as crianças (elas, bebendo champanhe infantil); já cozinhei com o hosto bebendo uma taça do tamanho da minha cabeça de gin, fiquei bêbada, espero que ele não tenha percebido, inclusive.

Mas como nem tudo são flores… certo dia, eu estava brincando com as crianças e, a menina de 4 anos, colocou um arquinho de lacinho na cabeça do bebê. Eu não liguei, não achei graça, não achei nada: era um arquinho na cabeça de um bebê – acabou. Nenhum adulto viu a cena, o bebê tirou o arquinho em determinado momento e vida seguiu. Outro dia, na mesma semana, provavelmente, a melhor amiga da mãe estava com ela na casa, até que eu coloquei o arquinho na cabeça do bebê, pra irritar ele mesmo, de brinks, porque sabia que ele iria tirar.

Nesse momento vejo as duas falando alguma coisa em holandês, notoriamente sobre mim ou sobre algo a ver comigo. Então perguntei em inglês: “o que vocês estão falando?”. A mãe já tinha saído da sala, a melhor amiga respondeu: “estamos falando que o bebê vai virar gay”. Fiquei tão indignada que eu só consegui soltar um “por que?” e ela disse “porque você está colocando esse arquinho, é de menina”. É claro que eu comecei a dizer que é um arquinho, apenas um arquinho, e que ninguém se torna gay, a pessoa no máximo nasce gay e um dia acaba descobrindo isso e… E DAÍ?

Ela ficou poker face e eu também. Mas depois desse dia sentia que, com certeza, eles não são LGBT friendly.

PACABÁ, descobri, ainda, que a parte que eu moro na Bélgica é liberal, eles são de direita e, inclusive, são xenofóbicos disfarçados: as piadinhas com brasileirxs, as piadinhas com qualquer outra nacionalidade, a necessidade de dizer como a Bélgica e a Europa são o centro do mundo, o desmerecimento com o meu trabalho, tanto como au pair quanto como jornalista, além de críticas RIDÍCULAS sobre imigração e controle nos países “de primeiro mundo”.

Pois então, o feeling pode errar, e se eu soubesse dessa possibilidade de ter sido tão Alice, teria perguntado sim na tora: o que vocês acham sobre os direitos e a luta LGBT?

Esses são alguns dos conselhos que tenho lido nos grupos:

  • coloque uma bandeira LGBT atrás de você durante os Skypes (ps. eu trouxe a minha, junto com a do Brasil, pensei em pendurar mas fiquei receosa, acabei indo para a Parada Gay e nunca pendurando… que erro – ou não né)
  • coloque no seu perfil que você é LGBT friendly. Não sei se em uma frase, uma hashtag ou em uma foto. Por exemplo, no meu perfil do couchsurf eu coloquei nas preferências “direitos LGBT”, porque eu não gostaria de hospedar ou ser hospedada por um homofóbico JAMAIS!
  • se o match já veio, você já está na casa/fez a entrevista pessoalmente, como acontece em rematches na Europa, solte uns: my ex girlfriend/boyfriend… bla bla bla e continue falando como quem não quer nada

É realmente FROID ter que viver em um mundo onde existe um post de “como encontrar uma família não-homofóbica”, quando isso não deveria ser um problema ou um questionamento, afinal, ninguém chega e te pergunta: mas então… você é hetero? – Mas, infelizmente, estamos aqui vivíssimos neste mundão podre, então todo cuidado é pouco, e é melhor a gente se fortalecer e se proteger escolhendo famílias minimamente decentes, e as que são homofóbicas que se estrebuchem.

NOTA IMPORTANTE: em alguns países, como nos Estados Unidos, perguntar a orientação sexual numa entrevista de emprego é proibido por lei! Ao mesmo tempo, no Reino Unido, ou até no Brasil, algumas empresas de recrutamento passaram a perguntar nos questionários sobre a orientação sexual, gênero, raça e religião dos candidatos – o intuito não e descriminar, muito pelo contrário, mas conseguir preencher vagas que buscam por candidatxs naquele perfil (ex: enfermeiras mulheres para cuidar apenas de pacientes mulheres) e/ou atingir cotas de diversidade dentro de empresas.

Então, se uma família babaca resolver te perguntar sua orientação sexual saiba que: TÁ ERRADO, e denuncie! Pior ainda se for num sentido negativo ou preconceituoso. Não se cale!

Se você tiver alguma dica para adicionar ao post, me manda! ❤

Au Pair: Bélgica x França?

Pra quem me conhece, não é segredo que eu sempre quis aprender o máximo de línguas e conhecer o máximo de países e culturas possíveis. Ainda na Universidade, comecei a estudar francês no penúltimo semestre, na esperança de aprender algo antes de tentar uma pós/mestrado na França. Mas é claro que aprender uma língua não é tão rápido e fácil assim (ainda mais se você for um pouco preguiçosa, como eu era), e acabei fazendo apenas um semestre do curso – eu fazia o curso oferecido pela própria UEPG, o “Clec”, que é um curso voltado para toda a comunidade (acadêmica ou não), ensinado pelos alunos de Letras. Eles têm a opção de vários níveis da língua espanhola, francesa e inglesa. Também fiz um ano de inglês, pra refrescar minha memória com a gramática, mas não foi muito útil porque eu sempre ia pelo instinto e não estudava, rs.

Quando então decidi fazer Au Pair e aprender uma língua, é óbvio que a primeira opção era me mudar para a França. A França é charmosa: a comida, a língua, a música, a arte, a moda, as parisienses… tudo chama a atenção. Eu já me imaginava aprendendo a língua e andando por aí com um batom e boinas vermelhas, comendo croissant e entendendo tudo o que o filme da Amelie falava, sem legendas.

Assim como para qualquer país fora dos EUA, o primeiro passo para procurar uma família é buscar no site AuPairWorld.com. Criei uma conta ainda no início do último ano da faculdade, só para testar como funcionava, dar uma olhada no fluxo de famílias da França e ver se alguém tinha interesse em mim, mesmo que eu não fosse para o país ainda naquele ano (2018). E essa é minha primeira dica, com base na minha experiência: não tranque a faculdade para fazer o intercâmbio.

  • Você não vai ser formar com a sua turma original. Não liga? Ok, leia o próximo motivo
  • Se você for como eu, vai ser bem bad… imagina só sair da facul, viver um lindo sonho internacional e se dar super bem lá? Quando chegar ao fim do intercâmbio, você vai precisar trancar tudo pra voltar à sua rotina
  • Não liga? É só pra aprender a língua? Ok. Então vai, anjo, mas não diz que não te avisei

No início de 2019 comecei a procura real oficial. E não estava nada fácil de encontrar famílias na cidade que eu queria tanto morar. E adivinha qual cidade? Paris, claro. Hoje penso que os dois maiores motivos são: não falo francês (o que facilitaria a comunicação com crianças/famílias que não buscam por Au Pairs para ensinar inglês dentro de casa) + janeiro é o meio do ano letivo europeu (e americano), então essas famílias, na maioria dos casos, já estão com uma Au Pair cujo contrato irá acabar com o fim do ano escolar… lá pra julho.

Enfim, encontrei uma família em uma cidadezinha chamada Blois. Pensei: maravilha! Apenas 2h de ônibus de Paris, dá pra ir sempre, uhul! O feeling bateu logo na primeira entrevista por Skype. A família era bem comunicativa e amigável: pai, mãe, um cachorro, uma filha de uns 14 anos, uma de 12 e um de 11, algo assim, nessa faixa etária. Os dois últimos filhos eram adotados do Quênia. Meu trabalho seria acompanhar os dois mais novos nas atividades extra curriculares e fazer companhia, já que eram pré-adolescentes e não necessariamente precisariam de uma “babá”. Eles não falavam inglês, só a mais velha, mas cada um deles tinha algo em comum comigo: a menina mais nova jogava handebol; o menino era super ligado em esportes também, e extremamente carinhoso e educado.

Euzinha sorridente em Paris

Os pais também eram gentis. Parece bobeira, mas se nos primeiros Skypes a família se quer faz seu coração se derreter (mesmo que seja falsidade, gente), sinal bom não é. É o mínimo que você precisa exigir de pessoas com quem você vai, literalmente, compartilhar boa parte da sua vida durante o próximo ano. Então, depois de conversas e risadas, praticamente fechamos o match. Aí é que veio o problema… eu fui 100% inocente. Eu seria a primeira Au Pair deles, então no início imaginei que era inocência da parte deles também, mas no fim percebi que a única boba era eu.

No caso, eles queriam enviar o contrato antes mesmo de conversarmos assuntos muito importantes como: qual será o pocket money? Irão pagar meu curso de francês? Irão pagar pelo transporte para o curso de francês? O curso é reconhecido pelo consulado para me permitir renovar o visto por um segundo ano na França*? Poderei pedir minhas comidas vegetarianas/produtos de higiene pessoal na lista de mercado da família? Quantas horas serão trabalhadas, onde está o schedule? Se eu fizer horas extras, irão me pagar quanto?

Se você pensa que está sendo babaca de fazer essas perguntas “nada delicadas”, você está erradx. Eu pensei, e eu me lasquei por isso. Gente, ninguém é bobo, todos sabem que isso é um trabalho, você está indo cuidar das crianças da família não porque você gosta de fazer caridade, mas porque precisa desse dinheiro para alguma finalidade: mandar para o Brasil, juntar para estudos, viajar, comprar brusinhas… não importa, você não deve ter vergonha de perguntar pelos seus direitos, a família é que deveria ter de ficar omitindo isso e depois achando que está te fazendo um favor.

Finalmente, fui soltando essas perguntas por mensagem e, como tudo na França, até para responder uma simples mensagem demoraram. Foi mais de um mês para correrem atrás de coisinhas que em menos de uma semana no Brasil seriam resolvidas… ô povo lento!

No fim, descobri que era bem carinho pra ficar saindo da cidadezinha até Paris, então lá iria todo o meu salário só em condução. Além disso, eu estava ainda sob a lei antiga, que mudou cerca de um mês depois que eu comecei a conversar com a família. Na lei antiga, eu deveria receber no mínimo 60e por semana e trabalharia 25h/semana; além disso, o curso deveria ser reconhecido pelo Campus France – que era parte do processo, antes de chegar no Consulado e pegar o visto – e, geralmente, esses eram os cursos mais caros, pagos por trimestre. Minha família queria pagar o mínimo, não iriam pagar pelo curso, não iriam pagar pelo transporte, muito menos por qualquer documentação. Iriam permitir minha lista de supermercado e sim, eu faria horas extras, e receberia dias de folga equivalentes. Aí é que vem a pergunta: o que eu vou fazer com pouco dinheiro e muita folga? Ir a falência, provavelmente. Comecei então a luta incessante para que eles pagassem pelo menos o transporte e aumentassem o pocket money. Eles negaram. A Lei mudou, tiveram que pagar exatamente pelo valor que eu pedi, rs. Aceitaram pagar o transporte, mas só!

Se quiser saber tim tim por tim tim como funciona o processo para ser Au Pair na França com a mudança da Lei, dê uma olhadinha no blog Dendê na Gringa, clicando aqui.

Porém a teimosia deles e a lerdeza para irem atrás era tanta, que foi me dando um bode, um estresse… resolvi que não iria mais para aquela família. Já estavam abusando da minha boa vontade antes de iniciar o processo, imagina quando eu chegasse lá?

Outro fator que contribuiu, é que, enquanto estava loucamente procurando por famílias em Paris, eu também estava procurando por famílias em Bruxelas, capital da Bélgica. Bruxelas fala francês, então…

Eu estava em um grupo de oferecimento de famílias no Facebook o Au Pair in Belgium; além do grupão de brasileiras na Bélgica, que vez ou outra também coloca anúncio de famílias para ajudar quem quer encontrar uma, o Brazilian Au Pairs in Belgium. No meio dessa brincadeira de atirar para todos os lados, mandei por inbox o meu perfil para uma família belga, que só me respondeu muito tempo depois, justo quando eu já estava de saco cheio da família francesa. Parece que caíram do céu. Ofereciam muitos benefícios, mas tinham dois defeitos: não estavam na parte de língua francesa, e sim próximos da Antuérpia, a parte flamenca, que fala holandês. Além disso, não seriam apenas dois pré-adolescentes fáceis de cuidar, mas três crianças: um bebê e duas meninas novinhas.

Tratei os benefícios com mais peso e resolvi que sim, fecharia com eles. Mas foi mais um questão de desespero para sair logo do Brasil do que qualquer coisa, pra ser bem honesta. Eles pagariam metade de toda a documentação para a Work Permit (permissão de trabalho), visto e passagens + metade do valor do curso de holandês + o transporte para o curso + o meu celular. Pensei: uau, tirei a sorte grande!

Euzinha sorridente em Brugge, uma cidadezinha fofura da Bélgica

Diferente da França, em que o pocket money mensal fica em 320e, na Bélgica recebemos 450e, fora o plano de saúde da família, que por Lei deve nos incluir, e os benefícios que variam de família para família. Outra grande diferença é que na França, com a nova Lei, o trabalho é de 25h semanais, e na Bélgica 20h. Mas é claro que nem tudo são flores e praticamente nenhuma família cumpre as 20h semanais… acontece que as horas extras são pagas, ou recebidas em forma de dias de folga.

Na minha família, acordei trabalhar 25h semanais e, caso passasse disso, poderia escolher dias de folga ou dinheiro. Além disso, eu teria durante o ano o direito de 15 dias de férias remuneradas.

No fim, vim para a Bélgica com o visto de turista, pois a família precisava de mim o quanto antes, já que a Au Pair deles estava com o visto para vencer. Assim como eu, todas as Au Pairs anteriores fizeram o processo entrando no país como turista e aplicando para a documentação daqui: errado, não é, mas não é ideal, e nem do agrado da Imigração.

Se você vier para a Bélgica como turista e quiser aplicar para o visto daqui, tenha em mente:

  • O visto de turista tem duração de 3 meses para o território Schengen, que abrange 26 países (meu, é muito país!) da Europa, ou seja, não adianta sair da Bélgica e voltar, o visto não será “reiniciado”
  • Você tem o período máximo de 3 meses para: ter todos os documentos exigidos pela prefeitura local (na minha: antecedentes criminais apostilados e traduzidos + diploma traduzido + certificado de um médico belga comprovando que estou saudável para trabalhar + cópia do passaporte) e aplicar para sua Permissão de Trabalho; após ela chegar, você deve imediatamente aplicar para o pedido de visto tipo D, e então aguardar sua ID chegar
  • Algumas famílias são tão lerdas como famílias francesas e perdem a noção de tempo, demoram para solicitar os documentos e o período de 3 meses não é suficiente. Nesse caso, ou você sai do território (volta para o Brasil, vai para algum outro país que você possa ficar legalmente durante o período dos documentos saírem…), ou você acabará ilegal, e sem a menor chance de aplicar para o visto, além do risco de ser deportadx
  • Dependendo do tempo que a sua Permissão de Trabalho demorar a ficar pronta, você pode ter bem pouco, ou nada, de tempo para continuar no país após o seu 1 ano de Au Poor. No meu caso, demorou pouco menos de 1 mês, então me restou pouco mais de 2 meses para continuar no território Schengen após dia 12 de maio de 2020 (data em que a Permissão termina)
  • Após 3 meses como turista no território, você deverá sair imediatamente e só poderá retornar após, no mínimo, 6 meses

Trarei em tópicos objetivos outros motivos legais para vir para a Bélgica (apesar de ainda amar a França. FRANÇA, VOCÊ É TUDO PRA MIM!!!):

  • A burocracia lenta existe, isso deve ser algo natural de europeus, mas não é tão lenta quanto na França!
  • É menos complicado, segundo relatos de coleguinhas na FR, aplicar para o visto de Au Pair estando na Bélgica do que estando na França
  • O pocket money é 130e maior do que o da França
  • O sistema de saúde belga é melhor, mais rápido e, para nós, garantido pelo plano de saúde particular da família – enquanto na FR você deve esperar sua carteirinha “de saúde pública” chegar, e já ouvi casos de uma demora de nada menor do que 11 meses
  • A Bélgica está estrategicamente bem localizada, geograficamente falando, é bem barato viajar saindo daqui – tanto de ônibus, quanto de avião ou trem – e faz fronteira com vários países: Alemanha, França, Holanda, Luxemburgo
  • É um país que fala três línguas: holandês, francês e alemão. Mas cada uma em uma região

Mas como eu gosto de reclamar, aí vão alguns poucos motivos para não querer vir para a Bélgica:

  • A região flemish, ou seja, a região que fala holandês, é a parte mais rica e, consequentemente, a que mais têm famílias com Au Pairs. Isso não é coincidência, é a região liberal e de direita da Bélgica – eu não tinha parado para pensar ou pesquisar sobre essas questões políticas porque, além de detestar falar de política (a não ser que você me convide para xingar o Bolsonaro, aí eu vou), eu tinha a fantasiosa ideia de que na Europa tudo era perfeito e comunista KKKKKKKK ALOKA
  • Nessa mesma região as pessoas são PORCAS. Sim, elas são muito nojentas. Para lavar louça, fazem igual em desenho animado: fecham a pia com o ralo, enchem de água e sabão e lavam tudo ali naquela água: sem enxaguar. Além disso, não tomam muitos banhos, e não importa se é verão ou inverno, tá meninas?
  • Eles são mais frios. Então se você, assim como eu, é aquela pessoa carente, e que gosta de conversar, socializar, rir feito uma boba alegre… vai se dar mal aqui assim como eu. Povo aqui está pra poucas ideias. Sem risadinha, mermão.
  • A língua deles é uma mistura de alemão com álcool. RISOS. Eu aprendi isso no final de semana que fui para a Alemanha, eles adoram zombar que holandês é uma pessoa falando alemão enquanto está bêbadx. E é mesmo, língua feia, viu? E olha que eu acho todas as línguas a coisa mais linda do mundo…
  • Estamos longe da Itália, ao contrário de quem está na França… então é bem carinho viajar pra lá

Bom, acho que é isso por enquanto. Se quiser saber mais sobre a minha experiência como Au Pair na região flemish, aguarde os próximos posts… QUEIMAAAA QUENGARAL!