De volta ao Brasil: parte final

De setembro de 2020 até aqui, muita coisa aconteceu.

Depois de um “meio ano sabático” em Minas Gerais, eu estava no caminho de largar mão de buscar um trabalho. É claro que isso não era uma opção real, mas era esse o sentimento. Chega uma hora que não dá mais.

E foi nesse momento que as coisas mudaram. Voltei no meio de outubro pra Mogi das Cruzes-SP, por causa do Dia das Crianças, e do aniversário da minha mãe, no fim do mês. como sempre, eu estava dando uma olhada despretenciosa nos grupos de Facebook, buscando alguma vaga milagrosa. E eu achei. O anúncio da vaga dizia que era um freela de 1 mês e que, por 1 semana, a pessoa deveria ter disponibilidade de trabalhar presencialmente no escritório da agência, em São Paulo.

Mandei meu currículo e esqueci. Aprendi a fazer isso, mandar e não criar mais expectativas, real. Alguns poucos dias depois, recebi um e-mail, onde a pessoa dizia que o meu currículo foi selecionado para uma entrevista. Honestamente, eu não fiquei nem feliz, eu fiquei em choque. Eu realmente não estava esperando mais nada. Depois, veio o nervosismo, e aí sim a alegria de FINALMENTE alguma coisa boa estar prestes a acontecer. Fiz a entrevista, me dei super bem com a redatora (alô, Bruna) e ela me pediu um teste. A partir daí eu tive 3 tipos de cagaço, não sabia se eu tinha entendido a proposta ou não.

Meu teste era basicamente escrever uma peça de e-mail marketing, bem simples. O problema é: eu nunca escrevi um e-mail marketing e eu sequer sabia O QUE ERA UM E-MAIL MARKETING… a única vez que dei uma breve estudada nisso, foi em algum curso livro da Rock Content, mas eu ainda não tinha noção de nada, era um universo completamente fora da minha realidade de jornalista. Já que ela se dispôs a responder eventuais dúvidas (embora eu saiba que nos processos seletivos eles esperem que a gente não tenha dúvidas), eu tive que perguntar se era aquilo que eu entendi mesmo. E ela disse que sim.
Mandei meu teste e joguei pro universo.

Focas Estadão

Ao mesmo tempo desse processo seletivo, eu havia mandado minha inscrição pro curso de Jornalismo Econômico do jornal Estadão. É um curso gratuito, uma espécie de trainee. 20 jornalistas recém formados (aka Focas) são selecionados para estudar esse curso todo feito e ministrado pela FGV e depois colocar tudo em prática, trabalhando no Estadão. É basicamente uma das únicas portas de entrada pra entrar no jornal, especialmente se você não tem o Q.I (quem indica), como eu. Me inscrevi, joguei pra Deus.

Mentira, não foi tão fácil assim. Eu procrastinei por 1 mês, de tanto medo de não fazer a inscrição direito: a inscrição era basicamente uma sugestão de pauta muito bem estruturada + vídeo vendendo sua pauta + uma carta de apresentação do porque você quer participar. Eu sou pessimista e perfeccionista, então eu basicamente fiz tudo isso no último dia da inscrição.

Pedi ajuda de alguns veteranos da UEPG, que atualmente trabalham no Estadão. Refiz a pauta 8 vezes, mudei de tema 3. Enviei.

Pra quem já leu meus outros posts, sabe que eu gosto muito de museus. Mas eu só conhecia o MIS e a Pinacoteca, aqui em São Paulo. Aproveitei o desemprego (muito tempo livre) pra finalmente conhecer o MASP no dia de entrada gratuita (terças-feiras). Agendei meu ingresso pelo site (em tempos sem pandemia, você deve ficar numa fila e torcer pra ainda ter ingressos) e quando eu estava colocando o tênis pra sair de casa e ir pra estação a caminho de São Paulo, recebi uma ligação: era uma das sócias da agência, dizendo que eu passei no processo seletivo e que o rh entraria em contato comigo.

*mais tarde, descobri que um dos motivos que passei foi porque a Bruna leu meu blog! ESSE AQUI hahha ❤

Eu fiquei MUITO FELIZ. Eu não me sentia feliz desse jeito desde o dia que passei no vestibular, ou do dia que entrevistei a Daniela Falcão pro meu TCC, ou do dia que ela respondeu meu e-mail dizendo que me daria a entrevista. Ou talvez do dia que tirei 10 no TCC, não sei. Mas eu estava muito feliz! Fui sorrindo de orelha a orelha pra São Paulo e, quando eu cheguei na Estação Luz, fui olhar meu celular e um veterano meu tinha me marcado em um post no Instagram.

Eu estranhei, visto que não somos amigos, no que ele poderia me marcar?

Pois então, ele me marcou no post de “Aprovados para a segunda etapa” do curso do Estadão! Fui da Estação da Luz até a Consolação tentando não desmaiar, de tanto que meu coração estava acelerado. Eu olhei a legenda do post, e lá estava: Ellen Almeida. Mas, como boa pessimista, eu pensei: esse meu nome é bem comum, com certeza não sou eu, será que eu coloquei Ellen Almeida ou meu nome completo na inscrição E outra… eu não recebi nenhum e-mail, sinal que não sou eu mesmo.

Então eu comentei dizendo que estava chocada, mas ainda não estava realmente comemorando. Quando desembarquei em frente ao MASP, recebi o tal do e-mail: ERA EU!

@focaestadao

No dia seguinte eu teria a tal da prova. Pedi de novo dicas pros meus veteranos: eu teria uma “coletiva de imprensa”, teria umas dinâmicas em grupo e teria que estar preparada pra saber nomes populares do jornalismo (políticos, figuras públicas). E foi assim que passei HORAS tentando me atualizar em todos os assuntos políticos: li todas as propostas dos candidatos à prefeitura de São Paulo, ministros, tretas no congresso, trocas de cargos, escândalos, como andava a economia. Estudei muito, escrevi tudo, fiz post-its, mas sentia que não era suficiente ainda. Só que assim, larguei pro universo.

No dia seguinte, aconteceu uma coisa muito doida. Uns 10 minutos antes de entrar na chamada de vídeo (tudo aconteceu online), quis olhar a foto dos ministros. Eu não assistia ou lia notícias há meses, porque tudo estava me dando crises de ansiedade, me alienei 100% mesmo. Então descobri o rosto do Ministro do Meio Ambiente. 10 minutos antes. Na “coletiva de imprensa” (fantasia), a primeira imagem do entrevistado era: Ricardo Salles. Eu fiquei tão eufórica que pedi pra ser a primeira a perguntar algo pra ele. Fiquei muito nervosa, fiz 1 pergunta só. Eu poderia ter perguntado sobre os corais em Recife (visto que, naquela época, eu era voluntária do time de comunicação da Sea Shepherd Brasil, uma ONG de proteção aos oceanos – proteção de corais era um dos projetos mais fortes, por que eu não pensei nisso?).

OK, no fim eu acabei me dando bem nas próximas perguntas. Mas então, no momento que a gente deveria “falar um pouco sobre nós, o que fizemos, o que gostamos” eu ativei o modo humildona.

A minha vida inteira fui chamada de metida. A vida inteira falaram que eu não tinha humildade, que eu achava que todos os meus feitos eram os melhores e que eu me vendia como a fodelona do rolê. Pois bem, depois da Europa, meti meu rabinho entre as pernas e minha autoestima/confiança/seja lá o que era isso que eu tinha foi virada de cabeça pra baixo. Eu não conseguia ver nada do que eu já tinha feito como algo bom, algo que poderia ser visto como benefício na minha carreira.

Primeiro, saber inglês, ter morado 2 anos na Inglaterra quando criança, ter feito uma universidade pública, ter sido bolsista de Iniciação Científica, ter tirado 10 no TCC, ter entrevistado os nomes do jornalismo de moda que eu queria, ter sido Aupair na Bélgica, viajado, estar aprendendo uma terceira língua, ter morado sozinha e tuuuudo o que eu tinha feito até então não estava valendo muito: todos falavam que era isso que buscavam nas vagas. Mas e aí, quais tinham sido as vagas de emprego que haviam me chamado para entrevistas até ali? Ora ora… acho que eu não era tão foda assim, né?

Então, naquele momento que me pediram pra “me vender”, eu fiz o contrário. Fui selecionada como a primeira a falar, e resumi tanto a minha vida, que parecia que eu nunca tinha feito nada, aprendido nada, vivido nada. Fui tão resumida e humilde que eu fiquei chocada. Logo depois, outras pessoas que haviam feito as mesmas coisas que eu, se venderam de uma forma que eu invejei a vida delas (até parar 2 segundos pra pensar: pera, eu já vivi exatamente isso também, por que eu não falei?!).

Por fim, 1 semana depois saiu o resultado dos 20 selecionados para fazer o curso. Para a etapa que participei, foram 90 jornalistas foca do Brasil inteiro (eu inclusa, uhul). Eu estava sim super na expectativa, tinha certeza que eu ia ser selecionada, afinal eu estava numa onda de sorte fudida. Mas não fui.

Meu coração quebrou em pedacinhos. Parecia que eu tinha levado um pé na bunda. Mas eu não me deixei ficar muito mal, porque sabia que se eu me deixasse, eu iria ficar MUITO mal. Dei até unfollow na página dos Focas, e decidi que só em 2021, pra próxima seletiva (e última que eu poderia participar), eu seguiria o perfil de novo.

Ao trabalho

Comecei a trabalhar na agência, aprendi tudo ali, na marra, com muita ajuda da Bruna – que era a redatora sênior daquele cliente. A equipe era de gente da minha idade, todos muito amigos, não paravam de falar 1 minuto no chat – e eu amava.

Há um mês eu estava, em paralelo, planejando uma viagem para o Paraná, seria meu reencontro com as minhas amigas da universidade. As 5 que não se desgrudam (nome carinhoso do nosso grupinho) iriam se encontrar em Cianorte, em um final de semana na chácara da nossa amiga. Fui, bebemos, rimos, ficamos na piscina, dançamos, e então na segunda-feira comecei a semana presencial na agência.

Foi uma semana cansativa, com plantões até as 4 da manhã – era Black Friday do cliente – mas que me deu muuuita alegria. Muita #gratidão de estar finalmente trabalhando, com pessoas legais, em São Paulo. Foi ótimo. Até que, no último dia presencial, a chefe me chamou na sala de reuniões e me fez uma proposta: eles queriam que eu ficasse na agênciaaaaa!

Obviamente eu aceitei. Mas eu iria pra outra equipe, com outras pessoas 😦

Enfim, resumidamente agora: pinguei entre vários clientes, até encontrarem um que tinha a minha cara (mercado financeiro – por que choras, Focas Econômico do Estadão?). Fiquei lá até agora, abril de 2021.

Mas como boa capricorniana, eu continuei olhando vagas naquele grupinho do início do post… eu trabalho na agência como PJ e, no meio de uma pandemia, com tantas demissões e incertezas, tudo o que eu queria era uma vaga CLT. Encontrei um anúncio, fiz uma piadinha enquanto mandava o meu currículo; passei em basicamente 5 etapas de um processo seletivo que me privou sono e apetite (tarra ansiosa) e PASSEI.

SIMMMMM!

Sou a mais nova Redatora CRM da Tok&Stok.

De volta ao Brasil: um passo pra trás? pt 2

Recapitulando do último post que falei sobre minha volta ao Brasil, depois de quase 1 ano na Europa, como Au Pair na Bélgica (seguido de desempregada na Inglaterra): o plano era voltar para o meu país, trabalhar na minha área (jornalismo), fazer currículo, adquirir experiência e depois me jogar de volta no mundo, certo?

Pois bem, tudo continuou a dar errado, até na hora de ir embora da Europa. Eu tinha que finalizar o ciclo e continuar tomando na cabeça, aparentemente. Primeiro, erros para conseguir comprar minha passagem de volta. Eu tinha uma passagem saindo de Bruxelas e voltando para Guarulhos marcada para 12 de fevereiro, mas eu não podia mais esperar. Tentei trocar a data, mas me custaria o mesmo que comprar uma nova, fora o transtorno de pegar todas as minhas malas sozinha e voltar para a Bélgica (lembrando que eu estava em Londres). Então decidi perder a passagem e comprar uma nova.

Por sorte, minha mãe tinha milhas e conseguiríamos gastar bem pouco nas passagens. Compramos pela TAP, o que significa que eu poderia, de quebra, visitar um país na minha saidera. Consegue cerca de 12h de conexão em Porto, avisei meu amigo que morava em Braga e daríamos um passeio juntos.

Descobri que meu vôo da Inglaterra para Portugal ia sair de um aeroporto nos cafundós do Judas, super rolê de transporte público e caro de Uber (e eu já não estava podendo gastar, né?). Mesmo assim, fui de Uber, minha mãe pagou pra mim, e chegando lá, um transtorno: o atendente era terceirizado, não era da TAP, não falava Português, era super grosseiro, nem bom dia me deu. Ainda bem que falo inglês, mas achei um absurdo não ter funcionários que falem português em uma cia aérea portuguesa. O cara era tão grosso (e eu estava tão fragilizada com tudo o que vinha acontecendo + a tristeza de estar indo embora) que eu comecei a chorar. Pra fechar, tive excesso de bagagem, minha mãe não atendia o telefone e tive que pagar 350 libras das minhas economias (que estavam planejadas para uma pós-graduação), de quebra eu tive que despachar minha mala de mão, que também estava acima do peso, e era lá que estava minha troca de roupa, pijama para me hospedar em Portugal e itens de higiene – eu estava menstruada, PRECISAVA tomar um banho antes de voltar para o Brasil.

Transtorno finalizado, embarquei pra Portugal com a roupa mais desconfortável do planeta. Calça vintage (que não conhece lycra) de cintura alta, doctor Martens no pé e corpo mega inchado pelo vôo + por questões biológicas = estava feito o estrago. Em Portugal, peguei um metrô logo no aeroporto, ainda bem que foi bem tranquilo. Mas, é claro, me perdi brevemente e perdi um pouco da luz do dia.

Quando encontrei meu amigo e o namorado, passeamos pelo centro, ele me explicando tudo (historiador que é) e eu me apaixonando pela cidade. Adorei Porto. Nunca imaginei que iria gostar de Portugal, tenho enorme preconceito, admito. Fui ficando ainda mais triste: parecia que eu não tinha tentado tudo o que eu poderia pra continuar na Europa. Todos os tipos de pensamento vinham na mente: e se eu ficasse em Portugal? E se eu voltar pra Bélgica? E se eu fizer pós em Portugal? Será que vou tomar banho hoje? Meu deus, horas de vôo nessa calça apertada, será que vai estourar?

Enfim, me alimentei bem em Portugal, fui pra casa do meu amigo em Braga, dormi no pijama dele e foi ótimo. Mas, no dia seguinte, teria que ir embora mesmo.

Dei a sorte de uma fileira inteira no avião só pra mim, justo na saída de emergência, ou seja, fui toda esticada, o que facilitou pra eu não morrer apertada naquela calça. Meus pés já nem cabiam no meu coturno.

Chegando no Brasil, mil horas pra conseguir pegar as malas. Desembarquei em Campinas, num aeroporto bem pequenininho, às 20:30 do dia 31 de dezembro. Toda minha família estava hospedada em um sítio, uma hora dali, pra passar o Ano Novo. Calor do capiroto, minhas malas chegaram: uma sem rodas e outra trincada. Tirei fotos, porque não perderia meu Ano Novo fazendo mais barraco na TAP, queria tirar aquela roupa logo.

Ah! Sem contar que fiquei uma meia hora esperando minha mãe chegar no aeroporto. Esse é um dom dela, ser atrasada e nunca esperar ninguém no aeroporto. Imagina como fiquei feliz, né? Voltando forçada para o Brasil e perceber que, mesmo estando no meu país, não fui tão bem recebida assim. Não tinha ninguém me esperando ansioso.

Chegando no sítio da família, aquele BAFO, calor de verão. Fui abrir a mala pra pegar minhas roupinhas de verão que nunca foram usadas (assunto para outro post) na Europa e descobri que a TAP simplesmente MUDOU A SENHA DA MINHA MALA. Como? Não faço ideia. Se roubaram algo? Até hoje não sei. Só tinha roupa e sapato, e sou super pequena, não adiantaria muito tentar vender, nem eu mesma consigo vender minhas roupas KKKKK.

Tivemos que arrombar o cadeado. Bem-vinda ao Brasil!

Passei os próximos 4 dias desconectada. Não tinha sinal de telefone, muito menos internet. Meu celular nem bateria tinha, aproveitei pra tomar muito sol e tentar aceitar a ideia de estar de volta. Ainda parecia que eu estava sonhando, não acreditava que eu tinha mesmo voltado. Levei 2 malas enormes para a Europa e me despedi dizendo que nunca mais iria voltar, eu sentia o fracasso a cada 5 minutos, especialmente quando perguntavam como foi na Europa.

Nossa, mas você não vai trabalhar?

Voltando para a minha cidade, comecei a mandar currículo. O meu currículo era o mesmo dos últimos meses de Universidade. Nada tinha mudado, nem cursos, nem experiência, nada. Sempre ouvia as pessoas falando como as empresas prezam por pessoas recém voltadas de intercâmbios (inclusive Au Pair) mais do que aquelas que têm experiência. No meu caso, não foi nada disso.

Eu não recebia nem negativa. Era vácuo atrás de vácuo. Não sabia se algo estava errado com a formatação do currículo, o que eu poderia fazer pra melhorar. Comecei a falar com todos que eu conhecia e perguntar se sabiam de vagas, de lugares para me indicar. Consegui entrar em alguns grupos de vagas no Facebook, mas todas as vagas exigiam de um candidato o serviço de uma agência toda: jornalista que saiba ser designer – Photoshop, edição de vídeo, Excel, atendimento, ferramentas de métricas.

Fui percebendo que eu deveria migrar para o Marketing Digital, se eu quisesse encontrar uma vaga. Eu odeio essa ideia. Não entrei em Jornalismo para ser marketeira, entrei para escrever, contar histórias, pesquisar, entrevistar, denunciar. Tudo o que eu acreditava e tinha aprendido na faculdade parecia inútil. Ainda parece.

Fui a uma entrevista, passei nos testes, mas aparentemente não consegui a vaga porque eu não morava em São Paulo capital, embora nunca tenham me falado isso.

Tudo o que eu fazia era: dormir depois das 4 horas da manhã, assistir séries, chorar, mandar currículos e ouvir esporro da minha mãe. Não tinha vontade de levantar, se eu pudesse eu dormiria o dia inteiro, me faltava sono. Comecei a tomar melatonina para dormir mais, porque tenho medo de remédio. Minha relação com a minha mãe, que nunca foi das melhores, só piorava. Até que ela me mandou para a terapia. Foi até legal, mas fiz poucas sessões, e logo depois chegou o Corona Vírus.

Eu estava esperando a segunda resposta da segunda entrevista que consegui, mas uma semana depois, o vírus chegou, e paralisaram as vagas, pois todos entrariam em Home Office. É isso mesmo, em uns 4 meses, só consegui 2 entrevistas, o resto era vácuo. Ninguém me ajudou, ninguém me indicou, ninguém tomou tempo para pensar comigo no que eu poderia fazer. Novamente, assim como nos últimos meses de Europa, eu estava sozinha, dessa vez dentro da casa da minha família, no meu país.

Minha madrinha, que mora em Minas Gerais, estava acompanhando tudo de longe. E, como eu não estava fazendo nada em São Paulo, meu curso no SESC (que era 1 vez por semana, em São Paulo capital) tinha sido paralisado, ela me chamou para passar um tempo em MG. Vim pra cá no fim de abril, logo depois do aniversário do meu irmão, e até hoje to aqui KKKKKK rumo aos 5 meses. É aquele meme: eu nem tenho roupa pra isso. Literalmente, eu não aguento mais vestir as mesmas roupas.

Eu gosto de citar uma música que ouvi uma vez: se faltar paz, Minas Gerais. E é bem isso. Consegui ficar mais em paz, refletir mais, fazer auto análises e me inscrever em cursos, continuar mandando dezenas de currículos (já foram uns 800 esse ano, entre e-mail, Linkedin, sites de trabalho e sites de empresas). Já não choro mais todos os dias, como acontecia comigo no início do ano. Mas ainda fico pensando: o que estou fazendo aqui, quando isso vai passar, estou no caminho certo?

Tenho mais uma parte pra contar, no próximo post.

De volta ao Brasil: um passo pra trás?

Me formei em Jornalismo em dezembro de 2018. Oficialmente, minha Colação de Grau foi em fevereiro de 2019 (quando peguei meu Diploma), e meu baile de formatura em abril de 2019. Exatamente 1 semana depois, me mandei para a Bélgica, em busca de aprender francês, viajar muito e, futuramente, fazer uma pós na minha área, ou em algo relacionado a Cultura, Arte, Moda… obviamente, não deu muito certo.

O ano de 2019 foi complicado. Passei por 2 host families na Bélgica, a primeira (por três meses) conhecia muito bem o programa de Au Pair e, embora me tratassem como Au Pair e me fornecessem o que era esperado (curso, transporte, acomodação, alimentação, interação com as crianças), abusavam bastante do meu trabalho (horas extras demais sem pagamento ou folga extra, me excluíam da família aproveitando que eu não falava holandês, me faziam faxinar a casa de graça), o que me fez decidir por mudar de família. A segunda família parecia ótima, eu virei até amiga da host-mom (mãe solteira, com personalidade parecida com a da minha mãe, jovem, independente, mente aberta, recém divorciada, super inteligente). Só que, novamente, meu trabalho começou a fugir da proposta do Au Pair (ela me pagava horas extras, e queria que eu optasse por gastar todo o meu tempo livre trabalhando a mais – cozinhando e limpando, inventando receitas, “granny style”, como ela mesma dizia), e acabei sendo demitida.

Estava insustentável, eu já esperava que isso fosse acontecer. Por mais que eu amasse a host-mom e o filho mais velho (meu menino italiano mais perfeito, ainda desejo que meu filho seja como ele, quando eu tiver um), lidar com o filho mais novo e com as exigências estava me fazendo mal. Pra completar, minha vida pessoal não estava ajudando. Quando fui demitida, fiquei sem chão: pra onde eu ia? Eu não queria voltar para o Brasil, eu não tinha feito nem metade do que eu fui lá para fazer. Então, acabei indo para Londres.

Passei dois meses em Londres, outra nova confusão da minha vida: 1 mês na casa de amigos da minha mãe. 1 mês na casa de amigos meus. Não conseguia trabalhar, porque não tinha nem permissão de trabalho no país, nem contatos que soubessem de trabalhos “clandestinos”, apenas fiz alguns babysittings e cheguei até a faxinar 2 casas. Nunca na minha vida de burguesa safada imaginei que eu faxinaria a casa dos outros. Muito menos em Londres. A última vez que estive lá, eu morava em um bairro nobre, andava de Porsche, fazia compras na Harrods e estudava em uma escola particular. Parece que o jogo virou. Mas vejo tudo isso como um grande aprendizado, amadurecimento e oportunidade de ver a vida como ela é, de todos os ângulos possíveis.

Eu sou capricorniana, então ficar vivendo de favor na casa dos outros (eu estava realmente vivendo de graça, não pagava contas, não ajudava com o mercado) era algo que me incomodava demais, me sentia em dívida 24h, ao mesmo tempo que eu pensava: eu preciso mesmo passar por isso? Será que não tenho outra opção?

Pensei em ser Au Pair na Inglaterra, mas todas as host families me ofereciam propostas extremamente abusivas, eu já tinha passado por 2 traumas e simplesmente não estava mais afim. Queria voltar pra Bélgica, eu ainda poderia achar a segunda família oficial (já que a minha segunda família italiana não havia emitido a Work Permit ainda, era como se eu nunca tivesse sido Au Pair deles), mas não achava nada na região de Bruxelas. Na França também, propostas abusivas ou tempo de espera longo demais, e eu não poderia esperar muito mais. Nesse tempo, decidi que precisava voltar para o Brasil, cuidar de mim e da minha cabeça. Precisava fazer terapia, rever meus amigos, minhas prioridades, replanejar minha carreira e trabalhar na minha área.

Por todo o tempo que eu estava na Bélgica, quando a minha vida ainda estava dando certo e seguindo o plano de ser Au Pair, eu pensava que poderia estar no Brasil, criando portfólio, trabalhando na minha área. Todos os meus amigos estavam trabalhando, eu via de longe e sentia vontade de estar jornalistando também (sem nem prestar atenção que eles também viam a minha vida de longe e sentiam vontade de estar viajando a Europa hahaha). A grama do vizinho sempre é mais verde do que a nossa, né? Quando as coisas começaram a dar errado, a vontade de estar trabalhando na minha área aumentou, e também a culpa de ter “perdido um ano da minha vida”.

Início de um sonho… deu tudo errado?

Na verdade, nada é perdido. Tudo é aprendizado. Eu odeio essas frases super positivas, mas depois de 2019 as coisas começaram a fazer mais sentido. E, realmente, a gente precisa viver as coisas e só depois percebemos os porquês, e como tudo está ligado.

Então, surtos depois, decidi que voltaria ao Brasil no Ano Novo. Em 2020 trabalharia na minha área e, só depois de 2 anos, voltaria a tentar voltar para o mundo. Dessa vez eu estaria mais preparada e teria minha experiência com jornalismo.

Continua no próximo post.

Isso é um diário de bordo

Oi meninxs, tudo bom?

Quem diria que a essa altura do campeonato e da modernidade da era da Instagrammers e Youtubers eu voltaria para as origens das influências digitais… aqui estou eu, escrevendo um “bom e velho” blog!

Em dezembro me formei em Jornalismo pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e, enquanto estava me despedindo da vida universitária, dos rolês no Tradi e dos jogos mais insanos da minha vida, eu também estava 100% apavorada pelo que a vida iria me trazer dali pra frente. Sem aulas, sem as responsabilidades acadêmicas e, em troca, com responsabilidades da vida adulta.

Onde eu iria morar? Será que eu seria efetivada no meu estágio em Ponta Grossa ou teria que voltar a morar com a minha mãe? Será que se eu voltasse a morar com a minha mãe eu demoraria a encontrar um trabalho na minha área ou encontraria meu dream job rapidão KKKK ILUDIDA? A real é eu estava realmente surtando com tantas incertezas. Surtando tanto que acabei deixando em stand by um desejo que eu tinha desde que voltei a morar no Brasil, em 2010: eu tinha que voltar pra Europa!

… se alguém que está lendo isso não conhece minha história, eu explico:

Eu nasci em Mogi das Cruzes-SP, cresci até os 10 anos em Guarulhos-SP, voltei pra Mogi por meio ano, enquanto minha mãe estava trabalhando em Londres, fui morar por um ano em Santos Dumont-MG e depois fui morar dois anos em Londres, com a minha mãe e minha tia-irmã. Até que em um belo dia, a senhora minha mãe resolveu voltar para o Brasil… Mogi? Não! RIO DE JANEIRO. Tipo? Ok, fomos. Odiei. Do inverno de Londres para o verão do Rio de Janeiro em JANEIRO! Calor infernal, sotaque esquisito e pessoas me zoando por falar “poirta” na escola. Fiquei meio ano no Hell de Janeiro e voltei a morar em MG. Depois disso foi maior confusão, fiquei entre Mogi das Cruzes (nem a minha mãe aguentou o Rio) e Santos Dumont, até parar em Ponta Grossa para cursar Jornalismo.

… de volta ao foco desse post:

Eu me encontrei em Londres, apesar do pouco tempo, e sempre pensei que cidade alguma do Brasil era pra mim white girl problems . O plano era ter feito a faculdade de Jornalismo de Moda na UAL – University of Arts London, mas não foi po$$ível. Então o plano virou fazer a pós-graduação lá, mas também ficou inviável. Como é que eu ia vir pra essa joça de Europa
a) sem ter cidadania de algum país da União Europeia
b) sem ter grana pra ser estudante
c) sem estar ilegal (sou cagona)

Pensei várias vezes em fazer o tal de aupair, mas ao mesmo tempo eu (e várias pessoas com quem eu falava disso) me diziam que eu não deveria largar meu diploma quentinho de Jornalista graduada por uma das melhores universidades públicas do país pra limpar bunda de neném gringo. Sinceramente, complicado né beninas… mas to aqui!

Essa sou euzinha em frente à escultura de Brabo jogando a mão do gigante Druon Antigoon em direção ao Rio Escalda. O gigante cobrava pedágio para que as pessoas entrassem na cidade, até que o Brabo desafiou ele e PEY cortou fora a mão – que deu o nome de origem á cidade: Antuérpia (mãos arremessadas). Em outro post eu conto+

A situação no Brasil não tá fácil nem pra engenheiro da USP, imagina pra Jornalista alô Bololoro… já estava desanimada com o cenário antes mesmo de terminar o curso mas, enquanto esperava pela colação de grau (que seria no fim de Fevereiro), já percebi que seria complicado encontrar algo na minha área, mesmo morando próximo a São Paulo – foram mais de 50 currículos enviados, 2 respostas: em uma, a mulher falava nada com nada, atrasou a entrevista que seria por Skype em mais de 2 horas e no final ficou de retornar a ligação que estava falhando. Na segunda, fui indicada a uma vaga sensacional, fiz a entrevista pessoalmente, soube que gostaram do meu perfil (e principalmente da minha primeira Iniciação Científica da graduação) e estava super animada.

Em paralelo, estava conversando com famílias na França – meu sonho é aprender a falar francês – e na Bélgica, só porque na Bélgica tem uma região que fala francês. A família da França estava me enchendo a paciência desde o início, mandei pastar. A da Bélgica ficava em uma região que falam holandês. Pensei: se for pra se lascar, melhor se lascar em Euro – sem aprender o meu tão sonhado idioma – do que aqui no Brasil esperando mais tempo enquanto minha pequena poupança feita durante os anos de UEPG se esgotam. E lá fui eu.

Nesse um ano de Bélgica (Zoersel, próximo da Antuérpia, segunda maior cidade do país) o plano é um só: não guardar dinheiro e torrar cada centavo em viagens!

NOSSA MAS COMO ASSIM VOCÊ NÃO VAI GUARDAR DINHEIRO PRA SUA PÓS?!

Meus anjos, eu guardo dinheiro desde que eu nasci, eu acho. Eu sou capricorniana! Quando eu era criança eu guardava minhas moedas pra comprar a mochila que eu queria pro ano escolar seguinte (lembro-me como se fosse ontem daquela mala de rodinhas jeans da Sandy & Junior), durante a graduação eu vendia canecas durante os jogos, dentre outros itens que faziam a alegria da comunidade acadêmica. Sempre me programei pra tudo, então acho que chegou a hora de me programar, no máximo, pras viagens que farei nos próximos três meses, e olhe lá!

Quem me conhece sabe que eu só falo abobrinha. Nesse blog eu vou tentar não fazer o uso de palavrões, mas não garanto.

É nóis.